Poema de Luiz Martins da Silva. Aquarela de Flávia Mota
[Olhando uma aquarela de Flávia Mota]

 

I
Amores há
De se querer
E não se queixar.

II
Amar só requer
Um olhar de si,
Areia, mar e céu.

III
Uma vez amor,
Jamais armar.
Ferir não unge.

IV
Amar é o sim.
Não existe não.
É rio indevoluto.

V

Amar não sobeja,
Não sabe soberba.
Não deslambe o cão.

VI
Amar é servir.
Uma vez eterno,
É nuvem e chão.

VII
Rasgue as cartas,
Tecidos, mimos…
É costura invólucra.

VIII
Ensaie despedidas,
Esconjure os astros.
E o destino ratifica.

IX
Amor é insepulto.
Amar é flor e fruto.
Pomar de pendores.

X
Amar é dizer,
Refazer, repetir.
É um imortal sentir.