Antes da mudança da Capital do Rio para Brasília, em 1960, o Senado Federal funcionava no Palácio Monroe (à direita). Entre 1914 e 1922, ali também funcionou a Câmara dos Deputados. Mas o Palácio não existe mais. Na época do governo do general Geisel, em 1976, foi demolido. Assim como o Legislativo, diversos são os ministérios e autarquias que já não possuem locais para se instalarem-no Rio de Janeiro.

Sem considerar que o Rio de Janeiro possui quatro ex-governantes presos por corrupção, e diversos parlamentares estaduais na mesma situação, sem contar a existência das milícias e da força onipresente do tráfico de drogas, o deputado bolsonarista afirma que levar de volta a capital para a capital carioca ajudaria a reduzir a corrupção no Brasil.

 

Por Chico Sant’Anna

No ano em que completou 60 anos de existência, Brasília se depara com uma proposta de emenda a constituição, totalmente nonsense, que propõe o retorno do Rio de Janeiro enquanto Capital da República. A brilhante ideia – e que espelha bem a qualidade de grande parte das propostas que o atual Congresso trata – é do deputado bolsonarista, Daniel Silveira (PSL-RJ). Sua justificativa é que o retorno da Capital ao Rio de Janeiro, dar-se-ia fim à decadência econômica e à escalada da criminalidade no Rio de Janeiro.

Depois da agressão proferida à cidade pelo ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que liberou a sua verborragia deseducada acusando a Capital Federal de ser “um cancro de corrupção e de privilégios”, muitos dos quais ele era um costumas usufruidor, aparece outro correligionário do presidente Bolsonaro para disparar contra Brasília.

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O parlamentar, que é um dos deputados investigados no inquérito das fakenews do Supremo Tribunal Federal, diz se inspirar em nações como a Alemanha que possuem duas sedes, tais como a Alemanha, que ainda preserva a Bonn, como co-capital. A cidade passou a ser sede do governo da Alemanha Ocidental durante e Guerra Fria, período em que tanto a Alemanha, quanto a tradicional Capital, Berlim, eram dividas entre soviéticos e o bloco capitalista.

Cita também o caso de Moscou e São Petersburgo – mas não explica que o motivo era essencialmente climático – e que na atualidade, Moscou concentra todo o poder da Federação Russa.

O deputado quer que Brasília compartilhe seu status de capital com o Rio de Janeiro, transferindo para lá o gabinete presidencial, alguns ministérios e o Congresso Nacional.

Na verdade ele deseja inverter a situação atual. Embora Brasília seja constitucionalmente a Capital Federal, órgãos como as Agências Nacionais do Petróleo e de Saúde, Petrobrás, Eletrobrás, Biblioteca Nacional, Instituto Nacional do Câncer, dentre outros, não foram transferidos para o Planalto Central. Até, por isso mesmo, o território fluminense abriga hoje a maior quantidade de servidores federais do país.

Sem considerar que o Rio de Janeiro possui quatro ex-governantes presos por corrupção, e diversos parlamentares estaduais na mesma situação, sem contar a existência das milícias e da força onipresente do tráfico de drogas, o deputado bolsonarista afirma que levar de volta a capital para a capital carioca ajudaria a reduzir a corrupção no Brasil. “Capitais distantes da população reduzem a prestação de contas”, diz Silveira. Para prosseguir com a tramitação, a PEC precisa reunir o apoio de 117 outros deputados.