Poema de Luiz Martins da Silva

 

Cabeça, pensamento.
Olhos, deslumbramento.
Nariz, todo e qualquer olor.
Boca, enquanto máscara,
Doces memórias de beijos.

O pescoço, um colar
Lá, do Colosso de Rodes,
Fantasia, maravilha,
Uma das sete do mundo.
Turismo? Globo terrestre.

Os ombros de Atlas revezam,
Um de cada vez, as culpas
De toda a Humanidade,
Agora, única família,
Nas rusgas do dia-a-dia.

Guerreiro, o peito quer paz,
Tão escassa quanto emprego.
O peito não quer opressão,
Quer mais o ar dos pulmões.
Suspirar por aqui, longe de UTI.

Barriga, enfim, tanquinho,
Comer, favor, um pouquinho,
Farelo, bico de passarinho.
Cintura, mais que fininha.
Ventre, um sonho elísio de praia.

O sexo quer sexo, mas, à falta,
Virtual no isolamento,
Vai longe, buscar imagens,
Outrora, pele, tão táteis.
Por enquanto, só no touch.

As pernas pedem estrada.
Mas, hoje, caminho, nada.
Asas, pra que te quero!
Voar, recalque dos braços,
Agora, vazios de abraços.

E, com tanta restrição,
O que fazer das mãos,
Ainda mais no ofício
Predileto do afago.
Passe logo, este aziago.

Pés querem sair do chão,
Ir além de porta e portão.
Ih! Faltou o coração.
Amar, até a explosão.
Mas, isto requer uma vida.