Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Semíramis Pedrosa

[Dedicado a Semíramis Pedrosa]

I
Para minha amiga escrevi
Confissão de bilhetinho:
Eu, ganhando a loteria,
Iria ser seu vizinho.

II

“Mas, nem tanto assim,
Não carece, não é caro”.
Mas, o que eu não disse é:
Compraria também o Monet.

III

Quadro, de fato, raro.
Espelho d’água, original.
Pontilhismo de pétalas,
Dispersas pelo Criador.

IV
Sem contar os cantos diversos,
Tanto valor em poesia.
Imagine, a fila de cachês,
Da alvorada ao fim do dia!

V

Cantores sim, contrapontos.
Madrigal, recital bem alegre.
Outro, mais solene, entardecer.
Ensaiam em qualquer expediente.

VI
Quero-queros, os mais insistentes.
Tímidas, a Siriema e a Maria Faceira.
A lista vai longe. Uns, até se escondem.
As onças, o melhor, não apareçam.

VII
O fato é que a “Casa da Roça”
É um paraíso perdido
Frutos, flores e artefatos,
Misto de campo, fazenda e mato.

VIII
Mas, o que mais me preocupa
É o cerco do andropógon,
Encurralando flora e fauna,
Mais para dentro de casa.

IX

Os humanos feitos bichos,
Num pesadelo de fábula.
E os animais, que situação!
Em fuga, rogando compaixão.

X

Quanto custa um lobo guará?
Quantas notas de duzentos?
Ah, se eu pudesse comprar
Proteção aos inocentes!