Cenoura (-16,63%); cebola (-16,51%); brócolis (-11,07%) e manga (-10,91%) são os itens alimentícios com as maiores quedas nos preços.

Transportes e alimentação: vilões da economia doméstica.

 

Por Chico Sant’Anna

Quem se vir obrigado a fazer uma ceia de Natal mais em conta vai ter que se valer dos hortigranjeiros, em especial cebola, cenoura e brocolis. Esses foram os alimentos que apresentaram queda nos preços. Tem até uma receita da Indonésia que parece apetitosa. Papai Noel vai chegar em Brasília mais pesado nesse ano. Não será, contudo, de presentes, mas sim na carteira dos consumidores. A alta dos preços nesse mês de novembro foi a mais alta nos últimos cinco anos. O IBGE prevê para novembro de 2020, uma inflação de 0,67%. Embora seja um pouco inferior da taxa nacional (0,81%), em Brasília, esse é o maior valor para um mês de novembro desde 2015, quando a previsão ficou em 0,80%. Ficou abaixo do índice em nível nacional. Nesse ano, até novembro, a inflação da capital federal acumulada, medida pelo IPCA-15, registra alta de 2,40%, contra 1,78% registrado no mesmo período do ano passado.

Transporte

E não adianta nem tentar fugir para outra cidade. As despesas de viagem aérea e de manutenção dos veículos são os principais impulsionadores dessa inflação candanga. Sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentam altas em novembro, sendo que o grupo transportes registra a maior variação mensal do mês (1,62%).

O grande destaque é a alta nos preços da passagem aérea (13,80%), sendo a maior variação mensal entre todos os subitens do grupo transportes. Ainda contribuem para essas altas os preços de pneus (4,94%); etanol (4,70%); seguro voluntário de veículo (3,56%) e gasolina (2,83%). Quem deixou o carro na garagem e optou pelo transporte de aplicativo economizou. Os preços dessa modalidade de transporte cariam 14,12%.

Alimentação

Comer e beber em Brasília também ficou mais salgado. O grupo alimentação e bebidas apresentou a segunda maior variação mensal (1,58%), puxado, principalmente, pelos preços da alimentação no domicílio (2,65%) – destaques para altas nos preços do óleo de soja (12,05%), arroz (12,29%); carnes (7,43%) e seus subitens contrafilé (10,85%), picanha (10,61%) e alcatra (8,46%); batata-inglesa (24,31%) e mandioca (14,73%). Pra economizar, o consumidor teve que comer cenoura (-16,63%); cebola (-16,51%); brócolis (-11,07%) e manga (-10,91%). Itens que tiveram queda de preço.

Essa inflação reflete o comportamento dos preços entre 14 de outubro a 12 de novembro de 2020 de itens consumidos por famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.