Poema e foto de Luiz Martins da Silva

Por enigma que seja
Cisma com o seu existir em pelo.
Hamlet, conflito primário:
Ser ou não ser em novelo.

À ontologia felina inquieta
A placidez do ornitólogo.
Gatos não teclam, nem piam.
Mas, perscrutam despertos.

Sóbrio o monge. Senha simples:
“Curta o gato”. Como sabia?
Compreender o tato:
Eles escolhem o quando carícia.

Cedi. Dormir é o remédio.
Enrodilhar-se. Cândido tédio.
Bocejar, à boca pequena,
Em aulas de alongamento.

Fui ao Tao, no tai (chi),
E ele mandou consultar o I (Ching):
‘Um gato não se contempla,
Nem quando apalpa tetas’.

Convicto de sua estética,
Do nascer ao último ato,
Ilude-se com mero fiapo.
Primoroso, no asseio.

Feio, nada de si e em si.
A estúpida fé?
O amanhã vem pronto.
Sonha o real, deveras.