A memória de Marielle Franco foi reverenciada com uma projeção de seu rosto sobre o Museu da República. A manifestação marcou os 1.000 dias sem que haja uma resposta sobre quem mandou matar a vereadora do Rio de Janeiro. Foto de Raphael Sebba

Veto do governador Ibaneis Rocha é derrubado na data em que completam-se mil dias da execução da vereadora carioca sem que o crime tenha sido elucidado.

 

Com base no texto publicado originalmente no Jornal Brasil Popular

 

Brasília se junta a mais de 150 localidades do mundo, dentre elas Paris, na França, que hoje portam o nome de Marielle Franco, vereadora executada durante exercício do mandato parlamentar no Rio de Janeiro, em algum logradouro, rua ou praça ou outro espaço urbano. A criação da Praça Marielle em Brasília tinha sido aprovada pela Câmara Legislativa em novembro de 2019, mas o governador Ibaneis vetou a norma.

Na terça-feira, 8 de dezembro, data de mobilizações nacionais pelos mil dias do assassinato da militante carioca e de seu motorista, Anderson Gomes, a CLDF derrubou o veto do emedebista e uma praça no Setor Comercial Sul receberá o nome da ativista em direitos humanos. Dos 17 deputados que participaram da sessão, o único que não votou a favor da criação da Praça Marielle Franco foi Delmasso (Republicanos), que se absteve.

Ao contrário do que alguns afirmam, não será despendido recuros públicos para a edificação de uma praça. O espaço já existe, fica na ligação do Setor Comercial Sul com a Galeria dos Estados e a Estação do metrô.

Simbolismo

Alguns críticos à ideia da homenagem alegam que Marielle Franco não tem qualquer vínculo com a cidade. Ao nosso ver, a simbologia de se homenagear Marielle é mais do que reverenciar sua memória. Assim como existe a Praça Zumbi dos Palmares, no Setor de Diversões Sul, trata-se de uma simbologia ao que representam ou representaram essas figuras públicas. No caso de Zumbim a luta contra a escravidão, pela liberdade dos negros. No caso dela, também existe uma busca pelo rompimento definitivo dos grilhões: a luta pela igualdade racial, pelo combate à homofobia e pelos direitos das mulheres. Por isso mesmo, cento e cincoenta cidades do mundo inteiro, muitas delas onde Mariele jamais pisou, renderam homenagens semlehantes.

“Hoje conquistamos uma grande vitória para todos aqueles que militam em prol dos direitos humanos. Derrubamos o veto à Praça em data bastante simbólica, quando cobramos o desfecho dos assassinatos de Marielle e Anderson. Já são mil dias sem respostas e sem justiça”, destaca o autor do projeto, deputado distrital Fábio Felix (Psol).

Homenagens mundo afora

Praças, bibliotecas, jardins, prédios públicos, ruas e avenidas. Mais de 150 lugares do mundo hoje se chamam Marielle Franco. A capital do Brasil agora se une a diversos países que decidiram eternizar o legado da vereadora carioca. O projeto da Praça Marielle Franco já tinha sido validado pela população em duas audiências públicas realizadas pela CLDF.

Fábio Felix considera a derrubada do veto à lei um recado “contra o ódio e contra a intolerância”. “A execução de Marielle é um grave atentado à democracia brasileira. Não podemos achar natural que uma parlamentar, legitimamente eleita, tenha sua vida interrompida por defender os direitos das minorias e das populações vulneráveis. Exigimos justiça para Marielle e ocuparemos essa praça com muita cultura e resistência para que a memória dela se mantenha viva”, afirmou.