Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

I
Precisamos fazer reviver
A dignidade de morrer.

II
Morrer pode ser natural.
Mas, não pode ser banal.

III
Precisamos recolocar
O que na razão tem lugar.

IV
Para começar, todas as cores
Têm o direito de respirar.

V
Governo é para governar
E polícia não é para matar.

VI
Crianças não são de morrer.
De balas perdidas, muito menos.

VII
Pode alguém negar a morte
E praticar tiro todo dia?

VIII
Num país, tudo invertido
Se o poder é genocida.

IX
Floresta para madeireiro?
Terra indígena para garimpeiro?

X
Impostos sobre alimentos
E isenção para armamentos?

XI
É crime sonegar vacinas.
Por certo, a pior das chacinas.

XII
República é a maior coisa pública.
Não há de ser uma festa privada.

XIII
Quem elege e mantém mentirosos
É muito pior do que eles.