De 2019 para 2020, o Psol cresce 22% no seu plantel de filiados, enquanto que o PSDB perde 26,87% de seus quadros e deixa para o MDB a condição de segundo maior partido do DF.

Dados divulgados pela Justiça Eleitoral demonstram que mesmo tendo visto sua bancada federal e distrital se reduzir, nas eleições de 2018, o Partido dos Trabalhadores é o maior do DF e continua crescendo. Na contra-mão, o PSDB perde para o MDB a condição de vice-campeão em decorrência da saída de milhares de filiados. Partidos de médio escopo, como o Psol, o PTB e o PSL se consolidam como forças à esquerda e à direita.

Por Chico Sant’Anna

Com 2.088.380 eleitores o Distrito Federal possui 218.694 cidadãos com filiação partidária local. Trata-se de uma importante fatia de 10,47% dos cidadãos aptos a votar que decidiram não apenas botar seu voto na urna, mas atuar na vida interna dos partidos. E mesmo sem eleição, o volume de pessoas que decidiu entrar no mundo partidário cresceu em velocidade, 0,40%, do que a quantidade de novos eleitores que, nos últimos 13 meses, cresceu 0,11%. Hoje, são 33 partidos registrados no Tribunal Regional Eleitoral-DF. Neste universo, o Partido dos Trabalhadores é o maior, em termos de filiados.

Os resultados eleitorais das urnas de 2018 e 2020 parecem não ter arrefecido o interesse de eleitores em fazer parte da legenda. Hoje, ela conta com 31.556 eleitores de Brasília, 2.691 a mais do que em outubro de 2019. Os dados acabam de ser divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral – TER/DF e se referem ao mês de novembro de 2020.

Se comparados a outubro de 2019, o PT cresceu 9,32%. Crescimento mais expressivo teve o MDB, do governador Ibaneis Rocha, que ampliou seu quadro de adeptos em 13,32% e se apresenta hoje com a segunda maior força partidária da cidade. O MDB desbancou o PSDB, do senador tucano Izalci Lucas, que perdeu 26,87% de seus filiados e é hoje a terceira maior agremiação de Brasília.

Na quinta posição, o Democratas, do Coronel Alberto Fraga e dos presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, amargou um ligeiro decréscimo, de 1,66%. Comportamento semelhante tiveram o PP, de Celina Leão, (-189%); o PSC, do distrital Iolando Almeida, (-1,84% ); e o PL, de Flávia Arruda, esposa do ex-governador José Roberto Arruda, (-0,76%).

Dos 32 partidos existentes em 2019 no DF, apenas doze apresentaram crescimento de filiados, sendo que quatro desses, tais como o PDT, PCdoB, PSD e Podemos, tiveram crescimento igual ou inferior a 2%. Agregar um maior número de filiados é sempre mais fácil para quem estar no poder. Isso poderia explicar o salto do MDB, que comanda o Buriti e a CLDF.

Proporcionalmente, os maiores crescimentos foram, pela ordem, PROS (43,97%), que está sob a investigação de uso de candidatas laranjas nas eleições de 2018; o PSL, ao qual era filiado o presidente Jair Bolsonaro (22,88%); o Psol, que ganhou boa visibilidade com a candidatura de Guilherme Boulos à prefeitura de São Paulo, (22%); o PCO, (21,50%); PTB (18,11%); o MDB, (13,32%) e o PT, (9,32%). Em termos absolutos – quantidade de novos filiados – o crescimento do PROS e PCO são insignificantes estatisticamente: 514 e 20 novos filiados, respectivamente.

Com distrital garantido

No rol dos 33 partidos hoje existentes no DF – foi criado a Unidade Popular – UP -, oito possuem mais de dez mil filiados, o que em tese, já assegura, pelo menos, um deputado distrital eleito. São votos tidos como seguros na legenda, o que é importante, considerando que a partir de 2022 não haverá mais coligação para candidatos a distrital e federal. A quantidade de filiados também interfere no cálculo da divisão dos fundo partidário.

Presidente do PT-DF, Jacy Afonso, diz que a condição de maior partido do DF deixa a agremiação muito feliz e salientou que além destes já registrados no TRE, o PT-DF tem no seu cadastro outros 30.000 filiados, que ao longo dos anos não foram inseridos no cadastro oficial de filiações partidárias. “Faremos agora um recenseamento visitando a residências de todos os filiados para atualizar seus dados e, posteriormente, cadastrá-los na Justiça Eleitoral”.

Partidos de médio porte

Em um segundo pelotão, estão nove partidos com quantitativos superior a três mil filiados e inferior a dez mil, que poderiam ser classificados de médio porte na realidade partidária da Capital Federal. Esse pelotão é liderado pelo PTB que apresentou um importante desempenho de novos partidários. Sob o comando da distrital Jaqueline Silva, corre o risco agora de ter sua presidência entregue à deputada federal Bia Kicis (PSL), caso ela aceite o convite formulado pela direção nacional do PTB. A entrega do comando à chamada “Bolsonaro de saias” não é tranquilamente aceita por Jaqueline Silva, que prefere, contudo, não comprar brigas públicas.

O PSB, da senadora Leila do Vôlei e do ex-governador Rodrigo Rollemberg, também está nesse grupo intermediário, mas, de 2019 para 2020, caiu da 10a pra 12a posição. O PSL de Bia Kicis e que deu guarida para a candidatura de Jair Bolsonaro, é que assumiu a 11ª colocação, após um crescimento de 22,8% no seu quadro de associados. Nesse pelotão, na 14 posição, está o Podemos, ao qual se encontra filiado, o senador Reguffe. O partido possui apenas 4.233 filiados. Base pequena, caso o sonho em disputar o Buriti ainda perdure.

No campo da oposição, quem apresentou um bom salto, (22%), foi o Psol. Nos últimos 13 meses, subiu da 15ª para a 13ª posição, totalizando 5.368 filiados. Para a professora Fátima Souza, ex-candidata do partido ao GDF, o PSOL cresce no DF e no Brasil porque sabe falar a língua do povo. “Seus dirigentes tem compromisso, inalienável, com as lutas democráticas, populares e sociais, sem tergiversar na defesa do SUS, da educação pública de qualidade, pelo emprego, renda justa, alimentação segura, acesso à cultura, habitação, terra, rumo à superação das desigualdades sociais e da miséria humana. Bandeiras que estão sendo colocadas de lado pelos partidos de direita e conservadores ora no poder” – disse ela.

Em queda

Para o cientista político Mellilo Diniz, as recentes mudanças nos quadros partidários no DF representam a maior ou menor presença de propostas e posições políticas, a partir dos cidadãos. “Cada partido deve considerar o grau de proximidade e de relação com uma base de filiados comprometidos com seus programas e com suas realizações. Quem não tem compromisso tende a derreter.”

Nesse “derretimento”, surpreende a performance do PSDB. Partido que no DF teve o nome de Maria de Lourdes Abadia como expoente e que hoje é capitaneado pelo senador Izalci Lucas. Em 13 meses, perdeu quase três, de cada dez filiados que possuía, (26,87%). Caiu para a terceira posição em termos de filiados. Para o parlamentar, a queda de filiados da ordem de 7.300 pessoas em nada afeta os planos do partido e do próprio senador, para 2022. “Isso é reflexo do recadastramento que fiz. O PSDB tinha muitos filiados, mas que se filiaram não pelo partido em si, mas por um ou outro candidato ou deputado de plantão” – disse Izalci ao Blog.

Comportamento semelhante apresentou o Partido Novo, que lançou o CEO do Grupo Girafas, Alexandre Guerra, a governador do DF e que, no início dessa Pandemia da Covid-19, entrou numa polêmica de sugerir a seus amigos empresários que demitissem imediatamente seus empregados.

O Novo teve o seu já enxuto quadro de filiados, reduzido em 15,91%. Hoje são apenas 687 pessoas que seguem a cartilha liberal, que dentre outras coisas votou no Congresso Nacional pelo uso de verbas públicas do Fundeb para pagar empregado de escolas privadas e se posicionou contra a aprovação pelo Brasil da Convenção Interamericana contra o Racismo, à Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância. No âmbito local, a distrital Julia Lucy, no início do ano, foi a única dos 24 deputados da CLDF a se posicionar contra uma lei que previa mais proteção aos motoristas de aplicativo, alvo na época de assaltos e assassinatos. A temática social, não parece ser o forte desse partido que poderá enfrentar duros obstáculos caso não supere a cláusula de barreira.

Cláusula de barreira

Na verdade, 16, dos 33 partidos, podem ter problema de superar a cláusula de barreira daqui a dois anos. A situação é mais grave para a Rede, PSTU, PCO, PCdoB, que em 2018 absorveu o PPL e assim conseguiu superar os obstáculos; o Partido Verde, o velho Partido Comunista Brasileiro – o Partidão; o recém criado Unidade Popular, o Solidariedade, que no DF tem o ex-deputado Augusto Carvalho como um de seus expoentes; e o Pros, dentre outros.
O partido que em 2022 não eleger 11 deputados ou não receber 2% dos votos válidos obtidos nacionalmente para deputado federal em 1/3 das unidades da federação, sendo um mínimo de 1% em cada uma delas, perderá o acesso aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV. O partido não é extinto, mas não contará com subvenção pública. Nesses casos, a existência de um grande volume de filiados poderá ajudar na subsistência financeira dessas agremiações.

Observação: O blog procurou ouvir as opiniões dos senadores Izalci Lucas (PSDB), Leila do Vôlei, e do ex-governador Rodrigo Rollembergm mas não obteve retorno.