Por Luiz Martins da Silva

Então, o bufão, num estardalhaço,
No Dia errado, na Hora errada,
No lugar errado e… Oh! Que descoberta!
“Há um colapso!”.

Antes, dava de ombros:
“É simples, um manda e outro obedece”.
Depois, veio com esta:
“Para que pressa?”.

E, do alto, de suas prerrogativas:
“O problema é que não praticaram
A medicina preventiva”:
Da verminose e da malária.

Hoje, no avançado calendário,
Agora, sim, venham as vacinas:
Dos reinos unidos, dos estados desunidos,
Da Índia, da China, da Cochinchina…

Estranha lógica,
Deixar para enfrentar a morte,
Quando ela já superou a sorte
De quem a recebe na sala de visitas.

Estranha logística,
Encomendar vacina, sem ter seringa.
Deixar acabar o ar para o mendigar
A quem ainda tenha oxigênio.

Há muito, já se passou o Dia D.
Há muito, já é passada a Hora H.
Tanta imprudência, tanta negligência,
Não tinham de renunciar?

Por algum efeito mágico, que dom!
Eles se mantêm numa camada de teflon.
Nada é com eles. Nada os atinge.
Até quando com poses de esfinges?

Agora, mesmo, diante do Apocalipse,
O que o negacionista disse:
“Minha parte, eu fiz!”.
E nós, o que faremos com ele?