Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

I
Dormir com os grilos,
Acordar com os galos,
Estar vivo, e são.

II
São dias de tanta ameaça
Ao um simples dia-a-dia.
Viver mais um, uma graça.

III
Outrora, ir à Grande Maçã,
Chegar ao topo do mundo.
Hoje, um café da manhã.

IV
A Lua e suas fases,
O Sol e sua oratória,
Oratórios do bem dizer.

V
Elogiei persignações,
E vieram cismas
À sem graceza das repetições.

VI
Pois, bem digo e conclamo
À calma de atravessar uma faixa.
Quanto incidente, quanto acidente!

VII
Mundo vasto de imundícies.
A cornucópia de uns
É a escravidão de outros.

VIII
Surpreender uma criança:
Pipas, bolhas de sabão.
Isto sim, singelas orações.

IX
Saudosos mares,
Séculos de literatura,
O fascínio das aventuras.

X
Sonhar o mundo,
A volta em 80 dias.
Já não se pode ir, nem ali.

XI
Por enquanto é espera,
De uma Nova Era,
Um Aquário de rotinas.