Chegamos ao aniversário de 61 anos da nossa amada Brasília. Haverá comemorações? Se houver serão pontuais, moderadas, com distanciamento, com máscaras, com medo… afinal, estamos assistindo todos os dias a tantas pessoas partirem para sempre ou hospitalizadas, agonizantes – todas vítimas desse maldito vírus. Não temos mais tesão para festividades. Ficou difícil até cantar Parabéns.

Por Sandra Fayad Bsb

A sexagenária cidade, inaugurada em 1960 pelo então Presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira, não tem tido muita sorte nas comemorações de seu aniversário. Desde o ano de 2010 que a população “murchou” na data mais importante de Brasília. Naquele ano, com todos animados e tudo aparentemente bem encaminhado para o evento do cinquentenário, eis que estoura um baita de um escândalo sobre corrupção no Governo local, com consequências funestas, cassações e prisões. A festa foi “por água abaixo” e ficamos “a ver navios”, com uma tristeza imensa no coração. Mas alguém teria dito: “ Não se apoquentem! No sexagenário vamos à forra. Será uma “festa de arromba”, um show de luzes, música, espetáculos nunca vistos. O mundo voltará os olhos para o nosso quadradinho** e, nós, os candangos* e os brasilienses, ficaremos muito felizes.

Fevereiro de 2020 chegou. Começaram os preparativos… veio março…veio abril, chegou o dia 21 de abril – Dia de Tiradentes e aniversário de 60 anos da nossa Capital. A invés da tão sonhada festa da libertação desejada pelo nosso herói, Joaquim José da Silva Xavier, só ouvíamos “Fique em casa! Fique em casa! Use máscaras! Lave as mãos! Lave as mãos!  Nada de festas! Não às aglomerações! Vírus! Vírus! Corona vírus! Vírus na China, na Europa, nos Estados Unidos, no mundo todo.

Bem, quem nasceu até 2019 sabe do que estamos falando…

Chegamos ao aniversário de 61 anos da nossa amada Brasília. Haverá comemorações? Se houver serão pontuais, moderadas, com distanciamento, com máscaras, com medo… afinal, estamos assistindo todos os dias a tantas pessoas partirem para sempre ou hospitalizadas, agonizantes – todas vítimas desse maldito vírus. Não temos mais tesão para festividades. Ficou difícil até cantar Parabéns. Mas em meio ao caos, há ânimo aqui e ali para criar. E o brasiliense é mestre em criatividade, em sensibilidade, em unidade em torno do amor a cada cantinho desta terrinha. Tenho filha, netos, sobrinhos, sobrinhos-netos nascidos, criados e formados em Brasília. Hoje minha neta, Mariana, veio prestar-me uma homenagem interessante. Trouxe-me uma caneca e uma muda de ipê roxo. O brinde foi desenhado e produzido por uma empresa brasiliense (BSB Memo) para que seus clientes usem esses símbolos como agradecimento aos candangos que ajudaram a erguer essa linda senhora de 61 anos.

(*) Candango é a denominação usada para definir os trabalhadores que imigraram de todo o país,  para trabalhar na construção de Brasília.

(**) Quadradinho é o formato aproximado da área ocupada pelo Distrito Federal.