Com esse super Fundão Eleitoral de R$ 5,7 bilhões, Bia Kicis (PSL-DF) assegura pra ela o direito de usufruir uma boa fatia de recursos para sua campanha, pois além de pertencer a um partido que receberá uma das maiores parcelas, a Justiça Eleitoral determina que, pelo menos, 30% do valor que cada partido recebe sejam destinados a candidaturas de mulheres. Mantida a proporção da divisão do fundo de 2020, em 2022, o partido de Bia Kicis contaria com R$ 558,645 milhões. Ou seja, mais de meio bilhão para fazer campanha eleitoral. Dessa maneira, falta de dinheiro não deverá vir a ser um problema na campanha de Bia Kicis em 2022 e, porque não dizer, também na de Carla Zambelli (PSL-SP) .

Por Chico Sant’Anna

Campanha é campanha, mandato é mandato. Isso ficou bem claro no posicionamento da deputada Bia Kicis (PSL/DF) na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO, na quinta-feira, 15/7. A deputada que passou sua campanha eleitoral em 2018 criticando o financiamento público de campanha – que acabava com a doação de empresas aos candidatos – votou favoravelmente ao reajuste que, praticamente, triplicou o fundão para as eleições de 2022, passando de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

O PSL, partido de Bia Kicis, por ter a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados, será um dos principais beneficiados por este reforço de dinheiro. Na mesma votação, o valor do salário mínimo aprovado para janeiro de 2022 foi de R$ 1.147,00. Ou sejam os partidos da base do governo aprovaram um Fundo Eleitoral que equivale a cerca de cinco milhões de salários mínimos. O PT, que tem a maior bancada, e partidos da oposição, como o Psol, votaram contra.

Cota Feminina

Assim como ela, outros integrantes do PSL, como Carla Zambelli (SP) votaram favoravelmente. Com esse super Fundão Eleitoral, Bia Kicis assegura pra ela o direito de usufruir uma boa fatia de recursos para sua campanha, pois além de pertencer a um partido que receberá uma das maiores parcelas, a Justiça Eleitoral determina que, pelo menos, 30% do valor que cada partido recebe sejam destinados a candidaturas de mulheres. Dessa maneira, falta de dinheiro não deve vir a ser um problema na campanha de Bia Kicis em 2022 e, porque não dizer, também de Carla Zambelli.

Os três senadores do DF: Leila do Volei (PSB), Reguffe (Podemos) e Izalci Lucas (PSDB) votaram contra.

Em 2020, o PSL foi agraciado com uma fatia equivalente a 9,8008% do Fundo Eleitoral. Mantida essa proporção, em 2022, o partido de Bia Kicis contaria com R$ 558,645 milhões. Ou seja, mais de meio bilhão para fazer campanha eleitoral.

Explicações

PL, PP, PSD, MDB, PSDB, DEM, Solidariedade, Pros, PSC, PTB e Cidadania orientaram suas bancadas a aprovar a LDO da forma como foi apresentada, ou seja, com o Fundão de R$ 5,7 bilhões. De outra parte, Psol, PT, PSB, PDT, Podemos, Novo, PV e Rede se posicionaram contra.

Nas redes sociais, Bia Kicis tentou explicar o inexplicável. Disse que não era bem assim e contou uma longa história. Em uma transmissão de vídeo, justificou que o reajuste do Fundão estava embutido na LDO, que é o texto que define as regras e balizamentos de como o orçamento do ano seguinte deve ser aprovado. E que o PSL havia orientado sua bancada a votar favoravelmente à LDO. E assim, ela votou a favor da LDO, que foi aprovada pelo voto de 278 favoráveis, contra 145. No Senado, o mesmo texto passou com uma margem mais apertada: 40 x 33. Os três senadores do DF: Leila do Volei (PSB), Reguffe (Podemos) e Izalci Lucas (PSDB) votaram contra.

Ainda, segundo as explicações da deputada, que se apresentava nas eleições como a legitima representante de Bolsonaro na Capital Federal, ela contava com uma votação em separado – no jargão do Legislativo, um “destaque” – do Fundão, propriamente dito. O pedido de destaque foi apresentado pelo Novo, mas numa votação simbólica, onde não aparece os nomes de quem votou desse ou daquele jeito, a proposta de votação em separado não foi aprovada e prevaleceu o resultado da votação da LDO, como um todo. Bia Kicis ainda diz que registrou uma declaração de voto de que era a favor da votação em separado. Mesma postura não teve a correligionária bahiana de Kicis, a deputa Professora Dayane Pimentel (PSL/BA), que votou contra, desde o início. O resultado final, contudo, é que o Fundão de 5,7 bilhões foi aprovado.

Além dela, o deputado Laerte Bessa (PL), que assumiu a vaga de Flávia Arruda, também votou favoravelmente ao valor bilionário que os candidatos terão em 2022. Da bancada de Brasília, Erika Kokai (PT), Professor Israel (PV), Luís Miranda (DEM-DF) e Paula Belmonte (Cidadania-DF) votaram contra. Celina Leão (PP) e Júlio Cesar Ribeiro (Republicanos) não votaram.