Poema de Paulo José Cunha. Foto de Chico Sant’Anna

Para Abel Neves

Não sabem se sexo se escreve com x, ç ou dois esses
(mas acham é bom).

Pouco se importam se glauber escrevia myzeria com y e z
(mas de miséria mesmo não gostam não).

Uma vez ouviram falar de caviar
(mas desconhecem se é animal da terra
ou bicho avoante do ar).

Só comem calangos, certas frutas do mato e uns inhames
(mesmo assim são fortes).

Embriagam-se com cachaça, fumam um tabaco fedorento,
passam a noite nos batuques
(e são felizes como diabo).