A maior parte da produção de galináceos do Distrito Federal, 9,14 milhões de cabeças, é destinada à produção de carne de frango. Além da avicultura, o que também cresce bem é a produção da apicultura brasiliense. Em 2020, o Distrito Federal produziu 21,9 toneladas de mel de abelha, 58,7% a mais do que em 2019 (13,8 toneladas), atingindo a maior produção dos últimos cinco anos. Mas o retorno ainda é tímido. O valor da produção de mel do DF ficou, naquele ano, em R$ 658 mil.

Por Chico Sant’Anna

O ano de 2020, pode ser dizer, foi um bom ano para o agronegócio candango, segundo dados divulgados pelo IBGE. A pandemia não afetou à maioria dos produtores locais no que se refere ao desempenho. Os rebanhos de suínos e ovinos e os plantéis de galináceos e codornas experimentaram aumento nos quantitativos de animais. A avicultura somou 9,14 milhões de cabeças galináceos foi 25,3% maior do que no ano anterior, o equivalente a um acréscimo de 1,85 milhão de aves. Este quantitativo deixa Brasília na décima-primeira posição no ranking nacional dos municípios produtores de galináceos. Mesmo assim, o quantitativo de aves aferido em 2020 representou apenas 58% do que a Capital Federal já possuía em 2016.

A maior parte da produção de galináceos do Distrito Federal é destinada ao abate para a produção de carne de frango. Tratando-se de galinhas – normalmente destinadas à produção de ovos -, o efetivo de 2020 ficou em 1,38 milhão de aves, conferido aumento de quase 60% em relação ao quantitativo do ano anterior. O DF ocupa a 24ª posição no ranking municipal da produção de ovos de galinha, tendo produzido 33,1 milhões de dúzias em 2020, atingindo, a maior produção desde 2006. Em comparação com o ano anterior (20,2 milhões), houve aumento de 63,9% e o DF subiu 15 posições no ranking da produção municipal de ovos (ocupava a 39ª posição, em 2019). Os produtores de ovos da Capital puderam aferir um rendimento de R$ 155,4 milhões na comercialização do produto.

Para o ex-presidente da Federação da Agricultura do DF, Joe Vale, essa queda do plantel desde 2016 é reflexo do fechamento de grandes empresas abatedoras no Distrito Federal e que a recuperação, agora, se deve ao advento de produção pelo sistema “integradoras”. Nessa modalidade, ao produtor de frango cabem os custos da construção do aviário, mão-de-obra e equipamentos. Já a empresa integradora é responsável pelo fornecimento de pintos, ração, medicamentos, transporte de aves ao abatedouro e assistência técnica.

Embora tenha um plantel bem menor, 175 mil aves, o desempenho da produção de codornas cresce a olhos nus. Em 2020, o volume de aves era 134% maior do que no ano anterior, propiciando um aumento de 500 mil dúzias de ovos de codorna em 2019 para 2 milhões de dúzias em 2020. O crescimento da produção candanga foi na contramão da brasileira que registrou queda de 6,23% no período.

A apicultura brasiliense produziu 21,9 toneladas de mel de abelha em 2020, com um faturamento naquele ano, de 658 mil reais. Foto de Andre Borges/Agência Brasília

Mel

O que também cresce bem é a produção da apicultura brasiliense. Em 2020, o Distrito Federal produziu 21,9 toneladas de mel de abelha, 58,7% a mais do que a quantidade registrada em 2019 (13,8 ton.), atingindo a maior produção dos últimos cinco anos. Mas o retorno ainda é tímido. O valor da produção de mel do DF ficou, naquele ano, em 658 mil reais. As regiões com maior destaque nessa produção mel no Brasil ainda são o Sul e Nordeste, que juntas colaboraram com 75,6% da produção nacional. Entretanto, tanto a produção de mel quanto a de codornas se adaptam bem ao tamanho do território rural do DF.

Tilápia, tambaqui, pintado, cachara, cachapira e pintachara, além do surubim são algumas das espécimes criadas na Capital. Foto Gabriel Jabur Agência Brasilia

Pescados

Grande parte do pescado que o brasiliense consome é produzido aqui mesmo, apesar das limitações hídricas. Tilápia, tambaqui, pintado, cachara, cachapira e pintachara, além do surubim são algumas das espécimes criadas na Capital e disponíveis nas peixarias. Em 2020, a produção total da aquicultura local foi de 1,77 milhões de quilogramas. Só a tilápia representou 89,6% da produção (1,58 milhão de kg), com um valor de produção de R$ 20,4 milhões. Brasília ocupa a 42ª posição no ranking de produção de tilápia entre os municípios produtores do país. A segunda espécie mais produzida seguiu sendo o tambaqui: com uma produção de 35 mil quilos, aumento de 9,4% em relação à 2019, com valor da produção calculado em 347 mil reais. Pintado, cachara, cachapira e pintachara, além do surubim, totalizaram 81 mil quilos produzidos no Distrito Federal, com o valor da produção no patamar de 1,61 milhão de reais.

Animais de médio e maior porte

Quanto à criação de animais de maior porte, equinos e bovinos, principalmente, pode se dizer que o quadro ficou estável em relação ao ano anterior. O gado registrava 84.225 cabeças, contra 84.425 no ano anterior. Entretanto o rebanho vem diminuindo ano a ano e esse foi o menor volume desde 2008. Já a produção de leite, que chegou a 29,3 milhões de, manteve-se estável em relação 2019. O efetivo de vacas ordenhadas foi de 15.013 cabeças, registrando o menor quantitativo dos últimos oito anos da pesquisa. A produtividade do rebanho leiteiro da capital federal foi estimada em 1.950 litros de leite/vaca/ano. Isso é um desempenho abaixo do padrão nacional. Quanto aos cavalos, Brasília, que aparece em nono lugar na produção do rebanho equino, manteve o quantitativo de animais na casa de pouco mais de 17 mil cabeças (em 2020, eram 17.664).

É interessante notar que em Brasília vem crescendo o interesse pela criação de ovelhas, que além da carne podem render leite para a produção de queijos diferenciados e também da lã. Desde 2017, o rebanho ovino vem crescendo e, em 2020, era estimado em 22.866 cabeças.

Suínos

Os suínos é que destoaram positivamente. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal, foram contabilizados 186.698 cabeças de suínos no Distrito Federal em dezembro 2020, um avanço de 22,8% em relação ao ano anterior. Desse total, cerca de 17 mil animais são criados para serem matrizes na reprodução do rebanho. Esse é o maior plantel de matrizes nos últimos seis anos em Brasília.