Poema de Paulo José Cunha. Foto de Chico Sant’Anna

Dentro de mim
os rastros teus estão por toda parte:
nas avenidas,
por onde andas de cabelos soltos e braços abertos;
nos becos escuros
que percorres de manso

Atrás do vintém de cobre perdido pela menina Coralina;
nas praças e gares, nas estradas poeirentas,
na areia das praias, na grama dos jardins
onde recolhes conchas e borboletas.

Mas onde os passos teus estão mais nítidos em mim
é nas alamedas do coração
acostumadas ao ir-e-vir dos teus pés descalços
às horas finas da tarde.