A Polícia Militar do Distrito Federal flagrou uma operação de corte irregular de árvores. Um caminhão estava cheio de toras de espécimes do cerrado em extinção e, por isso mesmo protegidas por lei, tais como o Jacarandá e o Cedro, além de exóticas, como o eucalipto. Não se sabe se o corte das árvores era uma “limpeza” da área para permitir uma ocupação irregular, ou se o objetivo era mesmo a madeira das espécimes, muito utilizadas por marcenarias para a produção de móveis.

Por Chico Sant’Anna

A história se repete em todos os feriadões. Grileiros se valem da carência de fiscalização e voltam atacar áreas de proteção ambiental no Park Way. O alvo dessa terça-feira de Finados foi mais uma vez um corredor de transição da vida silvestre, localizado entre conjuntos 08 e 09, da quadra 26, próximo às nascentes do Córrego do Cedro. Em abril, conforme noticiado por esse blog, o mesmo local foi alvo de uma tentativa noturna de cercamento, impedida pela vigilância dos vizinhos.

Para mais detalhes sobre essa tentativa de grilagem, leia:

Na manhã desta terça-feira (2), a Polícia Militar do Distrito Federal flagrou uma operação de corte irregular de árvores. Espécimes do cerrado em extinção e, por isso mesmo protegidas por lei, tais como o Jacarandá e o Cedro, além de exóticas, como o eucalipto tinham sido cortadas na véspera. De acordo com o Batalhão de Polícia Militar Ambiental, um caminhão estava realizando a retirada dessa vegetação. Não se sabe se o corte das árvores era uma “limpeza” da área para permitir uma ocupação irregular, ou se o objetivo era mesmo a madeira das espécimes, muito utilizadas por marcenarias para a produção de móveis.

Acionados por moradores, os Policiais chegaram ao local e constataram que existiam várias árvores que foram cortadas com a utilização de motosserra, provavelmente no dia anterior. Não foi possível identificar os mandantes, nem quem na véspera havia feito os cortes. O proprietário do caminhão onde estavam as toras foi conduzido à 21ª Delegacia de Polícia em Taguatinga, junto com as testemunhas por incorrer em prática de crime ambiental. A apuração deverá ser conduzida pela 11ª Delegacia de Polícia do Núcleo Bandeirante, ou pela própria Delegacia de Crimes contra o Meio Ambiente – Dema.

Atentos

As áreas entre conjuntos do Park Way, previstas no projeto urbanístico, tem como função garantir as recargas de aquíferos e garantir um corredor de transição da vida silvestre. O bairro é rico em diversidade. É comum avistar raposas, lobos guará, macacos, bichos preguiças. Além de uma infinidade de aves. Entretanto são constantemente alvo de ações de grileiros que desejam promover loteamento clandestino ou mesmo puxadões.

Os moradores do bairro já criaram uma rede de comunicação nas redes sociais, que ao primeiro sinal de irregularidade todos são acionados. Para o presidente do Conselho de Segurança do Park Way, Marcelo de Carvalho, “o combate ao crime ambiental e ao criminosos se tornou uma questão de cidadania dos moradores no Park Way.” Entidades comunitárias, como a AMAC Park Way, a ACPW e o próprio Conseg, tem procurado insistentemente as autoridades e o Ministério Público do DF para que a fiscalização e proteção do meio ambiente no Park Way seja mais efetiva e ágil.