Senador tucano, que lança pré-candidatura na quarta-feira (15), diz ver Ibaneis “desgastado” e que a tendência é Reguffe, Leila do Vôlei e ele caminharem juntos. Foto de Waldemir Barreto/Agência Senado

Entrevista a Chico Sant’Anna

O senador Izalci Lucas (PSDB) se lança oficialmente pré-candidato ao GDF na quarta-feira (15). O presidente do tucanato candango é o terceiro a se colocar nessa condição. Antes dele, Leandro Grass (Rede) e Rafael Parente (PSB) também o fizeram.

O parlamentar, que foi vice-líder de Bolsonaro, sonha montar uma frente partidária e gostaria de contar com a companhia dos colegas de Senado Reguffe (Podemos) e Leila Barros (Cidadania). Ele chega à pré-candidatura numa caminhada turbulenta. Foi apontado como o senador que mais nomeou assessores em cargos comissionados, chegou a 85 pessoas. Em agosto, a Justiça condenou Izalci Lucas por peculato, acusado de desviar 200 computadores doados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) à Secretaria de Ciência e Tecnologia, mas a punição prescreveu, pois os supostos crimes teriam ocorrido em 2008 e 2009. O Ministério Público, recorre da decisão.

Na pesquisa realizada em outubro pela Conectar Pesquisas e Inteligência, Izalci é bem conhecido ou conhecido mais ou menos por 58% dos eleitores do DF, mas aparece com apenas 2% das intenções de votos espontâneos e 4% dos votos estimulados.

Diante desse cenário, o tucano diz, nesta entrevista exclusiva à coluna do Brasília, por Chico Sant’Anna, que sua hora chegou e que está preparado para governar. A campanha se desenvolverá em um novo ninho. O PSDB deixa o Setor de Diversões Sul e se instala no Setor Hoteleiro Sul, nas amplas acomodações donde antes funcionou a universidade corporativa da Caixa Econômica. “O partido precisa de mais espaço”, diz Izalci.

Publicado igualmente na coluna Brasília por Chico Sant'Anna do semanário Brasília Capital

Como o senhor vê o cenário político do DF? – Eu vejo o governo Ibaneis bastante desgastado. Abandonou a população. Temos gente passando fome no DF, sem atendimento médico, sem consultas, sem exames. Tem muita roubalheira na Saúde, na Educação, na área Social. Tem muita incompetência do governo. O cenário é de desalento, sem emprego, sem perspectiva. A gente tem uma Brasília virtual, que aparece na propaganda da TV. O resto está cada vez pior.

O deslanchar de sua candidatura depende do governador Doria deslanchar também? – Não. São realidades diferentes. A nossa candidatura no DF depende exclusivamente do eleitor brasiliense e da nossa situação aqui. Eu venho me preparando já há alguns anos. Já fui tudo que eu tinha direito na política: deputado distrital, secretário do GDF por dois mandatos, deputado federal e hoje sou senador da República. Minha candidatura independe da nacional.

O senhor foi vice-líder de Bolsonaro. Isso ajuda ou atrapalha sua caminhada ao Buriti? – O que é bom para o Brasil eu apoio. Como vice-líder, tentei ajudar o máximo que pude. Agora assumi a liderança do PSDB, mas se tiver matéria a favor do Brasil, voto independentemente de qualquer coisa.

Em que pé estão alguns processos que pediam a sua inelegibilidade? – Não há nenhum processo tramitando que comprometa a minha candidatura. O que havia na Justiça eram inquéritos que foram apurados, e o último foi arquivado, pois estava prescrito.

Não há um excesso de candidatos no espectro de centro direita no DF? – Eu acho que essa coisa de direita, esquerda, centro… não pesam. O importante é existir pessoas com capacidade de planejar, de fazer uma Brasília melhor; que tenha conhecimento, experiência. Eu quero construir uma frente ampla para mudar o DF, pra tirar esses governos incompetentes que há anos veem destruindo a nossa cidade. Quero comigo pessoas que tenham responsabilidade e compromisso com a cidade, independentemente da questão partidária.

Que parceiros o senhor está focando para uma eventual coligação majoritária? – Estamos trabalhando com diversos partidos, pessoas. Como eu disse, nós queremos fazer uma frente, uma coligação forte para nos apoiar. Estamos conversando com muitos parceiros. Lógico que precisamos de partidos maiores, homens e mulheres comprometidos. Pessoas de bem que queiram o melhor para Brasília.

Quem será seu vice-governador? Se ainda não tem um nome, qual seria o perfil ideal desse candidato? – Vice ainda não existe. Estamos conversando. O ideal seria uma mulher que tenha experiência, capacidade de gestão, capacidade política. Uma mulher seria bom, mas não obrigatoriamente. Estamos buscando nomes que realmente queiram somar, que tenham compromisso de melhorar esta cidade, principalmente para as pessoas mais necessitadas. Governo não foi feito para os grandes, para os magnatas. A gente precisa deixar eles trabalharem, induzirem o desenvolvimento, mas quem precisa realmente do governo são as pessoas com menor renda, que estão passando por dificuldades.

O PSDB fará federação com algum partido, nacionalmente? – Há algumas especulações, mas não vi nenhuma discussão sobre federação de partidos, nada definitivo.

Ibaneis e Reguffe estão na frente? – Tenho mantido conversas com o Reguffe e com a Leila Barros. Somos colegas no Senado. São duas pessoas de bem, que têm compromisso com a cidade, que não colocam seus projetos pessoais acima do DF. A tendência é caminharmos juntos. Estou fazendo o possível para que tenhamos uma frente ampla e que os dois estejam envolvidos nela. Vejo neles pessoas competentes, de bem, compromissadas. Estamos conversando muito.

Quais as chances reais do PSDB no DF, já que não tem bancada distrital e federal? – Entendo que a candidatura majoritária depende, em primeiro lugar, do eleitor. Lógico que quando você tem deputados distritais, federais, isso ajuda muito. Mas, como estamos montando uma frente ampla, evidentemente teremos alguns parceiros deputados distritais e federais conosco, mesmo não sendo do PSDB.

O que o leva a ter tanta determinação para concorrer ao governo? – Eu não tenho nenhuma dúvida de que essa é a nossa hora. Estamos preparados. A população já nos conhece. Sabe do nosso compromisso com a cidade, com a população, principalmente, aquela abandonada, que carece de tudo em Brasília. Já demonstrei em todos os cargos que ocupei a minha capacidade, a minha vontade e determinação, o meu compromisso de devolver para essa cidade tudo aquilo que eu recebi. Tudo que eu sou, tudo que eu tenho, eu devo a esta cidade. Já tentei retribuir algumas vezes, como o Cheque Educação, que beneficiou mais de cem mil jovens e foi a origem do Pro-Uni. Quando secretário de Ciências e Tecnologia, lançamos o DF Digital. Mais de 200 mil pessoas foram capacitadas. Criamos escolas técnicas, o bolsa universidade, distribuímos notebook para os professores.

Quais suas principais realizações como parlamentar? – No Congresso, como deputado e senador, busquei mudar tudo que era necessário mudar nas políticas de Estado, como o marco regulatório de Ciências e Tecnologia. Agora, o Fundo Nacional de Tecnologia, fruto de um projeto de minha autoria que começa a funcionar, garantindo recursos para o setor. Recursos que não podem ser contingenciados. Fui relator do Fundeb, que ampliou os recursos para a educação. Presidi as comissões que analisaram o novo ensino médio, que instituíram a nova regulamentação fundiária. Apresentei emendas habilitando o GDF a conceder incentivos fiscais como os demais estados da Federação. Então, tudo aquilo que era necessário aprovar, nós fizemos. Agora é preciso ter a caneta e executar.

Um mau desempenho de sua candidatura seria uma pá de cal no futuro do PSDB local? – Não acredito nisso. Primeiro, porque a forma como eu tenho sido recebido na cidade, o carinho em todas as regiões administrativas, em todas as categorias profissionais; não vejo que teremos mau desempenho. Não tenho dúvida de que vamos ganhar as eleições e transformar Brasília na capital das oportunidades, realmente da esperança, a capital 100% digital. Com as pessoas sendo respeitadas, ninguém passando fome no DF, como está acontecendo hoje. Estou indo firme, pois chegou a nossa hora.