Exigir a vacinação, o uso de máscaras e orientar sobre a higienização das mãos são, comprovadamente, as maneiras mais adequadas de cuidado e prevenção contra a covid-19. Afinal, conforme demonstrado pela pesquisa do Instituto Todos pela Saúde em parceria com os laboratórios Dasa e DB Molecular, a variante Ômicron é responsável pela infecção de 98,7% dos testes analisados no Brasil.

Profa. Fátima Sousa*

Os novos casos de Covid-19 não param de aumentar. Somente nas últimas 24 horas foram confirmados mais de 33 mil casos da doença no âmbito nacional e 5.648 apenas na capital federal. Porém, ao contrário de outros países, o Brasil segue na contramão das medidas preventivas para evitar a disseminação da doença, uma delas é a adoção do comprovante de vacinação para frequentar locais como aeroportos, metrô, restaurantes, cinemas, estádios, teatros, dentre outros de grande movimento populacional. 

A medida tem sido adotada por países como Dinamarca, Argentina, Israel, Grécia, Itália, Portugal, dentre outros, como forma de diminuir a transmissão da doença e, principalmente, proteger a população. Nesta segunda-feira (17), a França aprovou projeto de lei que torna obrigatória a apresentação do comprovante de vacinação contra a Covid-19 por pessoas maiores de 16 anos de idade para acesso a estabelecimentos como cafés, museus, trens e eventos de um modo geral.

Exigir a vacinação, o uso de máscaras e orientar sobre a higienização das mãos são, comprovadamente, as maneiras mais adequadas de cuidado e prevenção contra a covid-19. Afinal, conforme demonstrado pela pesquisa do Instituto Todos pela Saúde em parceria com os laboratórios Dasa e DB Molecular, a variante Ômicron é responsável pela infecção de 98,7% dos testes analisados no Brasil. A cepa, é muito mais infecciosa que as outras, pois se adere mais facilmente às células humanas, se replica na cavidade nasal, laringe e faringe – o que facilita a propagação do vírus -, além de apresentar a questão do escape de imunidade, o que significa que as pessoas podem se reinfectar, ainda que tenham se vacinado.

O mundo sabe que a pandemia não acabou. O Brasil, entretanto, insiste no negacionismo que só prejudica um direito que é de todos: a saúde. Com o comprovante de vacinação e os devidos cuidados, podemos pensar em retornar ao contato social, o que, por consequência, movimentará a economia. Só com uma gestão adequada diante dos problemas causados pela pandemia, podemos pensar numa saída para as crises enfrentadas pela população.

Um país que tem um sistema de saúde universal como o SUS e a Atenção Primária em Saúde como sua base estruturante não pode se omitir às possibilidades de prevenção e promoção da saúde, seja no cuidado de adultos ou de crianças. É urgente cuidar do povo, proteger aqueles e aquelas que acreditam na ciência e na vacinação e exigir o atestado de vacinação em locais com movimento público. Não é momento de aceitarmos o descaso com o bem mais precioso, a saúde daqueles e daquelas que ainda choram as mais de 620 mil mortes de seus entes e amigos queridos.

*Enfermeira sanitarista, professora associada do Departamento de Saúde Coletiva, da Faculdade de Ciências da Saúde, da Universidade de Brasília. Doutora honoris causa pela Universidade Federal da Paraíba e pós doutora pela Université du Québec à Montréal. http://lattes.cnpq.br/7405541534944144