Mesmo diante do agravamento da Pandemia da Covid, a distrital Julia Lucy (Novo), já em campanha para o pleito de 2022, foi até a cidade do Gama e em suas redes sociais, postou vídeo convidando os apoiadores a encontrá-la, às 19h30 horas, no Sarará Bar. O convescote já tem até embalagem de marketing: “Happy-hour com a Lucy”.

Por Chico Sant’Anna

A deputada distrital Julia Lucy (Novo) tem sorte de não ser uma parlamentar britânica. Caso contrário, poderia estar na mesma saia-justa do primeiro ministro da Grã-Bretanha, Boris Johnson. O chefe de estado de uma das nações mais poderosas do planeta, pode vir a perder o cargo por conta de festinhas e happy-hours que ele e sua equipe promoveram em plena Pandemia da Covid. Lucy vai pelo mesmo caminho. Ignora o risco que a nova onda da ômicron e promove publicamente happy hours. O último, foi no Gama, na sexta-feira, 14 de janeiro.

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A distrital, já em campanha para o pleito de 2022, foi até aquela cidade satélite e em suas redes sociais, postou vídeo convidando os apoiadores a ir encontrá-la, às 19h30 horas, no Sarará Bar. O convescote já tem até embalagem de marketing: “Happy hour com a Lucy”. “Minhas atividades são políticas, transparentes e absolutamente dentro da lei. Estou tranquila” – diz a parlamentar.

No mesmo dia em que a distrital do Novo convidava apoiadores para bebericar e se aglomerar, o DF registrava 479.086 casos de Covid, sendo 23.285, no Gama. A cidade responde por cerca de 5% dos casos de Covid ocorridos no DF. O total de vítimas fatais da Covid somava naquele dia 10.167 brasilienses, sendo 665 (2,9%), no Gama.

No mesmo dia em que a distrital do Novo convidava apoiadores para bebericar e se aglomerar, o Distrito Federal registrava 479.086 casos de Covid, sendo 23.285, no Gama. A cidade responde por cerca de 5% dos casos de Covid ocorridos no DF. O total de vítimas fatais da Covid somava naquele dia 10.167 brasilienses, sendo 665 (2,9%), no Gama.

A cada dia, a secretaria de Saúde registra 2.900 novos casos e a ocupação de leitos nas UTIs chegou na sexta-feira, 14, a 85% da capacidade. O índice de transmissão estava em 2,09. Uma taxa que alerta que ainda é forte o avanço da pandemia. Ela nos diz que cada 100 infectados contaminam outras 209 pessoas. Ou seja, a quantidade de pessoas acometidas pela doença pode duplicar e, se continuar assim, quadruplicar, octuplicar… e entrar novamente numa espiral da morte.

Cortes como o Tribunal de Justiça do DF e até mesmo o Supremo Tribunal Federal já retomaram as práticas de trabalho remoto para evitar a propagação dessa nova onda. Até o Fórum Econômico Mundial, templo maior do capitalismo liberal – cartilha que a parlamentar segue – abandonou seu simpósio presencial em Davos, na Suíça para fazê-lo on-line. A deputada Julia Lucy (Novo), contudo, parece indiferente a todas essas pessoas doentes e falecidas. E ela, que se diz tão ciosa do dinheiro público, ignora a montanha de dinheiro do contribuinte que se faz necessária para assegurar tratamento a todos. Com um comportamento menos favorável à propagação da doença poderiam estar usando essas verbas em outras áreas.

Em seu perfil de rede social, a deputada registrou a presença de apenas um apoiador no happy-hour do Gama.

A sorte é que a população do Gama parece ser mais responsável do que a parlamentar. E segundo postagem dela mesmo em seu Instagram, apenas um apoiador se fez presente no “happy hour com a Lucy”. À mesa, ninguém usava máscara. A Câmara Legislativa, contudo, poderia se espelhar na atitude do Parlamento Britânico e apreciar a conduta de Lucy e de outros distritais que ignoram as recomendações de se evitar a aglomeração e colocam em risco a saúde do brasiliense.