A mais nova iniciativa que coloca Goiás à frente do DF é a introdução de ônibus articulado 100% elétrico, que substituirá toda a frota que circula no Eixo Anhanguera, uma espécie de BRT. Ao contrário dos antigos trolley-bus, os novos veículos não são energizados por redes elétricas aéreas e sim por baterias de fosfato ferro lítio, que permitem viajar 250 km sem a necessidade de nova carga. Os veículos possuem 22 metros de extensão, piso rebaixado, capacidade para 170 passageiros, além de espaços para cadeirantes, ar-condicionado ionizado, carregadores de celular e Wi-Fi interno.

Por Chico Sant’Anna

Desde o início de suas gestões, Ronaldo Caiado (Dem) e Ibaneis Rocha (MDB) competem para ser o maior protagonista, como na velha disputa entre Arena e MDB, dos tempos da Ditadura Militar. O mais recente episódio se refere à introdução de ônibus articulados, do tipo BRT, movidos a eletricidade. Goiânia dá um salto de qualidade de sustentabilidade deixando a Capital Federal pra trás.

Ao longo dos últimos quatro anos, a convivência entre os dois vizinhos não foi muito pacifica.

O confronto entre os dois governadores teve início logo no início de seus mandatos. Ibaneis foi inspecionar a possibilidade de instalar o Trem Regional para Luziânia. Ao tomar conhecimento, o governador goiano ligou aborrecido ao dirigente candango e, segundo o portal Metrópoles, à época, foi possível ouvir impropérios de lado a lado. Depois desse episódio, representantes da bancada goiana no Congresso Nacional apresentaram projeto de lei que abocanharia para Goiás, parte do Fundo Constitucional do DF. Caiado ainda decidiu revitalizar o aeroporto Santa Genoveva, tornando Goiânia uma alternativa de transporte de cargas e, até mesmo, portão internacional, em concorrência ao aeroporto JK. Dia 22, ao mesmo tempo em que o brasiliense tomava ciência de mais uma crise na Saúde, com a renúncia do presidente do IGES-DF, general Gislei Morais, Caiado autorizava R$ 87,2 milhões para a conclusão das obras do Hospital Estadual de Águas Lindas, com 163 leitos e ambulatório com 22 consultórios, e ainda centro cirúrgico com oito salas.

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Ao contrário dos antigos trolley-bus, os novos veículos não são energizados por redes elétricas aéreas e sim por baterias de fosfato ferro lítio. Uma carga completa permite viajar 250 km sem a necessidade de nova carga.

Atropelamento

A mais nova iniciativa que coloca Goiás à frente do DF é a introdução de ônibus articulado 100% elétrico, que substituirá toda a frota que circula no Eixo Anhanguera, uma espécie de BRT.

Ao contrário dos antigos trolley-bus, os novos veículos não são energizados por redes elétricas aéreas e sim por baterias de fosfato ferro lítio. Uma carga completa permite viajar 250 km sem a necessidade de nova carga. Os veículos foram desenvolvidos pela brasileira Marcopolo e a chinesa Build Your Dreams (BYD), com fábrica em Campinas (SP). Eles possuem 22 metros de extensão, piso rebaixado, capacidade para 170 passageiros, além de espaços para cadeirantes, ar-condicionado ionizado, carregadores de celular e Wi-Fi interno. E, como nasceram na era da Covid, já vêm de fábrica com dispositivos de biossegurança, com itens que reduzem o risco de contaminação pela Covid-19.

Publicado simultaneamente na coluna Brasília, por Chico Sant'Anna no semanário Brasília Capital.

Goiânia

O modelo apresentado, em Goiânia, não esqueceu os rodoviários. Possue seis câmeras de alta definição, duas delas com infravermelho, em substituição aos tradicionais retrovisores externos e internos. As câmeras permitem que o motorista veja pontos cegos e tenha facilidade de manobra, aumentando a segurança e garantindo mais conforto na viagem.

Em Brasília, segundo a secretaria de Mobilidade (Semob) existem seis ônibus elétricos na linha Rodoviária Esplanada. A frota conta ainda com nove veículos movidos a biodiesel. Nenhum deles, nos dois tipos de combustível, é articulado”. A Semob informa que na futura licitação das linhas de ônibus no DF haverá a previsão de ônibus elétrico, mas não se sabe ainda quando, nem quantos veículos irão operar e se serão articulados ou não. Há dez anos, o GDF promete o uso de ônibus elétricos na Capital Federal. Em 2012, Agnelo Queiroz (PT) chegou a ir a Xangai e anunciou a introdução, naquele ano mesmo, dos ônibus elétricos. Até “a criação de uma fábrica desses carros no Distrito Federal, se constituindo em uma plataforma para o Brasil”, foi anunciada por Agnelo Queiroz, detalhando que esses ônibus seriam utilizados já na Copa do Mundo de 2014. Nada se materializou.

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A frota de ônibus no DF é movida essencialmente a óleo diesel. Apenas seis ônibus que trafegam na Esplanada são elétricos. Foto de Chico Sant'Anna.

Meio-ambiente

A substituição da frota de ônibus por veículos elétricos tem a vantagem de reduzir a dependência das tarifas às constantes variações dos preços do óleo diesel. Só em 2021 foram alocados pelo GDF cerca de R$ 1,2 bilhão, para custear a tarifa técnica das empresas concessionárias. Repasses que a justiça do DF acaba de bloquear por considerá-los ilegais. Além da questão econômica, há a ambiental. Como divulgamos aqui nessa coluna, estudo do Ministério da Ciência e Tecnologia, com dados de 2016, aponta que o trânsito responde sozinho por 53,4% dessa emissão de Gás de Efeito Estufa (GEE), na Capital Federal. Dióxido de carbono (CO2) metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) são os mais presentes na atmosfera candanga. Pelo levantamento, apenas em 2016, no Distrito Federal foram lançadas 7,23 mil toneladas de CO2, de metano foram 1,5 mil toneladas e 354 toneladas de óxido nitroso. Vale lembrar que a redução das emissões de GEE é uma das metas do Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário.

Sobre o estudo do ministério da Ciência e Tecnologia, leia mais aqui:

Em Goiânia, o objetivo é iniciar a modernização na linha ainda neste primeiro semestre. Ao todo, serão mais de cem novos ônibus para substituir a atual frota, composta por 86 unidades. Espera-se assegurar mais conforto aos usuários do sistema e reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera e de ruídos. De acordo com a fabricante, cada veículo elétrico deixa de emitir 110 toneladas de CO2, por ano. Caiado estima que mais de 10 mil toneladas de carbono, se computados os 100 ônibus, deixarão de ser lançadas no meio ambiente. “Nós seremos os primeiros no Brasil a implantar, a passos acelerados, o transporte com ônibus elétrico. Isso é dar a Goiânia o diferencial de que precisa, e a Goiás mais um passo inovador. Não adianta você querer resolver um assunto fazendo ‘puxadinho’. Ou se muda o conceito do transporte público, ou vamos estar cada vez mais fadados a provocar um certo desencanto junto à população” – disse o governador. No GDF, não houve reações à iniciativa.