Se o Partido dos Trabalhadores lograr êxito na criação da Federação, três partidos de esquerda – PSB, PV e PCdoB – deixariam de lançar candidatos próprios o que reforçaria o voto em Erika Kokai (PT). Nesse cenário, se a Federação do PT conseguir ainda coligar-se com a Federação do Psol-Rede – também em fase de construção – e ainda com o PDT, ter-se-ia uma candidatura única e fortalecida ao Senado. Esse seria o pior dos cenários para Flávia Arruda.

Por Chico Sant’Anna

Período de pré-campanha eleitoral é sempre igual. Pesquisas não registradas na Justiça Eleitoral circulam de mão-em-mão no sentido de apresentar prováveis cenários, cacifar candidatos e ajudar a descredenciar outros. Sempre foi assim. A diferença é que no passado essas pesquisas circulavam em fotocopias e hoje elas estão massivamente nas redes sociais. O fato de não estarem registradas na Justiça Eleitoral não significa dizer, necessariamente, que não revelem cenários reais e, por isso mesmo, candidatos de diferentes matizes as consideram em seus cálculos eleitorais. Na semana que passou, duas diferentes pesquisas foram viralizadas, principalmente em grupo de whatsapp. Uma delas mostra que Reguffe, do Podemos, seria o único candidato com cacife pra derrotar o governador Ibaneis Rocha e, mesmo assim, apenas em segundo turno. A outra demonstra que uma eventual vaga no Senado para a deputada Flávia Arruda (PL) não é tão garantida assim.

A esposa do governador cassado, José Roberto Arruda, sonha com uma proliferação de candidatos à sua esquerda, o que permitiria ela vencer com uma fatia de cerca de 40% dos votos, ou até menos. Entretanto, caso os partidos e candidatos, que precisam tomar destino até maio, optem por uma arquitetura eleitoral que venha fortalecer a deputada Erika Kokai (PT), sua caminhada ao Senado estará em condições bem próximas à da atual ministra da Secretaria de Governo. A vantagem de Flávia Arruda não é tão grande. Uma união em torno da petista, seja por meio de coligações – a lei ainda permite coligação para cargos majoritários -, seja por meio da federação PT-PSB-PV-PCdoB, que Lula tenta construir, poderia dar às esquerdas a única vaga em disputa do Senado. Por outro lado, Flávia Arruda tem que conter o seu campo ideológico, a centro direita, e evitar a proliferação de candidaturas. Se a federação PSDB-Cidadania, a União Brasil, o Novo, o PP e outras legendas desse espectro, cada uma lançar seu próprio candidato, elas irão desidratar o potencial de Flávia.

Desejo de Reguffe é poder representar todas as forças contrárias a Ibaneis

Buriti

A campanha ao GDF está muito indefinida. Na verdade, só dois candidatos estão efetivamente colocados: Izalci Lucas (PSDB) e Ibaneis Rocha (MDB). A indefinição campeia as demais legendas. Após o anúncio da federação PSDB-Cidadania, Leila do Volei já prepara voo pra deixar o Cidadania e pousar no ninho pedetista. Reguffe não sabe se vai e para onde vai. As especulações indicam que ele deixará o Podemos. O PDT era um destino, mas se Leila chegar primeiro, ele muda o rumo. Comenta-se em União Brasil – rumores já correm dando conta que o Coronel Alberto Fraga, bolsonarista de primeira hora, seria seu vice – ou o Solidariedade. PSB também já foi cogitado, mas se a federação PT-PSB-PV-PCdoB vingar, praticamente, esse destino ficaria descartado, pois essa frente vai apoiar Lula candidato ao Planalto e Reguffe sempre busca se posicionar nem tão distante, mas também não tão perto que possam rotulá-lo de esquerda.

Rafael Parente (PSB) e Leandro Grass (PV), vingando a federação petista, vão ter que cortar um dobrado para virarem candidato dessa articulação de esquerda. O PT-DF já soltou nota em que diz que não furtará de apresentar um candidato e o ex-deputado Geraldo Magela e a professora Rosilene Corrêa brigam para serem o escolhido.

Outros candidatos deverão aparecer, mas por terem se posicionado em campo há mais tempo e obtido mais visibilidade, o foco deverá ficar entre esses nomes acima. A eleição não será pra outsiders, comenta Geraldo Magela. São poucas vagas, e os partidos irão potencializar o seu máximo. É nesse cenário que a segunda pesquisa que circulou nas redes sociais tenta influir na definição das candidaturas. Criar um imaginário social em que o nome de Reguffe seria o único capaz de derrotar os atuais inquilinos do Buriti. Se ela surtir efeito, terá por objetivo torná-lo o centro das articulações oposicionistas. Resta saber se os demais irão se convencer, retirar o time de campo e apoiá-lo. Isso só saberemos com certeza em maio, prazo final para o registro das federações partidárias.