Em 2006, Alberto Fraga integrou a equipe de José Roberto Arruda como secretário de Transportes. Desavenças na definição do comando do União Brasil no DF, com outro Arruda, podem levar o ex-deputado ao ninho de Flávia Arruda. Foto Renato Alves/Agência Brasília.

Diferentes rumos eleitorais para a deputada Flávia Arruda (PL) e quem assume o comando do União Brasil na Capital Federal, se o Coronel Alberto Fraga, (ex-Dem) ou Manoel Arruda (ex-PSL), foram temas de especulações antagônicas entre si, propaladas pelas redes sociais. Dos desencontros do União Brasil, pode sobrar até pra Reguffe, cuja uma das opções seria migrar, a convite de Fraga.

Por Chico Sant’Anna

Março é um mês crucial no calendário eleitoral. É o período de migração de políticos, sem que eles sejam penalizados pelos seus partidos de origem. A debandada de um ninho para pousar noutro tem sido marcada de muitas fakes news, em especial na base partidárias de Jair Bolsonaro e Ibaneis Rocha. Na semana que passou, postagens em blogs simpáticos a um e a outro lado apontavam, por exemplo, rumos diferentes para a deputada Flávia Arruda (PL). Uns garantiam que ela tinha acordado com o presidente da República de vir como candidata ao Senado, numa chapa coligada à reeleição de Ibaneis Rocha (MDB). Outros davam conta do contrário, que ela seria candidata ao GDF, o que colocaria em risco o sucesso da permanência do atual governador.

Mesmo tiroteio de informações contraditórias teve a escolha do comando em Brasília do União Brasil, resultante da fusão do Democratas, do Coronel Alberto Fraga, com o PSL, dirigido por Manoel Arruda, protegido político do ministro da Justiça, Anderson Torres. Na noite de terça-feira, diferentes notícias davam como certa a indicação de um e de outro como presidente da nova sigla. Fraga acordou lendo o noticiário de que havia perdido para o grupo palaciano, mesmo contando com as bênçãos do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Mas, como bom soldado, foi a luta encarar os caciques do UniãoBR.

À coluna, Fraga disse que foi surpreendido pela informação e questiona a validade dela. Esclareceu que há um acordo nacional de que, em Goiás e no DF, a designação da direção é competência do governador goiano. Na reunião com os caciques do UniãoBR, disse não haver legitimidade na indicação de Arruda, pois as regras internas da agremiação estabelecem que um conselho formado por representantes dos antigos Dem e PSL é que formalizará as direções regionais. No caso de Manuel Arruda – informa Fraga – a definição do nome se deu por meio do Antônio de Rueda, vice-presidente nacional e presidente do UniãoBR de São Paulo, para atender o desejo do ministro da Justiça, Anderson Torres.

Novos rumos

A confirmação do nome de Manuel Arruda no comando aqui em Brasília significa reforço à candidatura de Ibaneis Rocha (MDB) ao Buriti. Fraga negocia a migração de Reguffe, hoje no Podemos, e diz que irá apoiar o senador caso ele saia candidato. A permanecer Manuel Arruda na presidência do UniãoBR, Fraga diz que procurará outra Arruda. Pretende se filiar ao PL, de Flávia Arruda. Em 2006, quando José Roberto Arruda se elegeu governador, Fraga foi nomeado seu secretário de Transportes. Nessa história com tanta Arruda, quem vai ficar com mau olhado é Reguffe, pois terá menos um ninho para pousar. Quanto mais o senador demora em suas definições, menos escolhas tem pra optar.