Importante lembrar que esse setor já vinha amargando com a criminalização de políticas públicas como a Lei Rouanet e outras políticas voltadas para a cultura. O investimento em desmontar a indústria do audiovisual vem sendo exaustivamente aplicado como projeto de governo desde o golpista Michel Temer e foi intensificado neste desgoverno.


Por Rita Andrade*

Nessas andanças que fazemos conversando com mulheres, mulheres que sustentam suas casas e suas famílias e que são trabalhadoras do setor cultural, me deparei com muitas delas passando por grandes dificuldades financeiras, muitas não sabem como pagar suas contas, como vão comer e não conseguem mais sustentar seus lares com seu fazer artístico. São famílias desamparadas, são grupos desfeitos, são espaços que se fecharam, são pesquisas e projetos que foram severamente afetados pela pandemia, são milhares de desempregadas e desempregados no setor. Ressalto que o setor cultural foi o primeiro a fechar no período de lockdown e que até o momento encontra muita dificuldade em retornar a “normalidade”.

Tratado como PIB Criativo e apontado por muitos como um dos grandes vetores de crescimento da economia mundial pós-pandemia, no Brasil esse segmento representa hoje quase 3% do PIB brasileiro, gera 6.6 milhões de empregos e possui mais de 140 mil empresas, segundo a UBC (União Brasileira de Compositores). Portanto, quando se inviabiliza um projeto cultural isso impacta em uma cadeia de produção grande e complexa e contribui para o empobrecimento de muitos e muitas.

Importante lembrar que esse setor já vinha amargando com a criminalização de políticas públicas como a Lei Rouanet e outras políticas voltadas para a cultura. O investimento em desmontar a indústria do audiovisual vem sendo exaustivamente aplicado como projeto de governo desde o golpista Michel Temer e foi intensificado neste desgoverno. O mesmo projeto que vem sendo aplicado aos outros segmentos da cultura e que culminou na extinção do ministério da cultura e a criação de uma secretaria especial da cultura que teve a sua frente assombrosos representantes como: Roberto Alvim, Regina Duarte e Mário Frias, todos empenhados em atender a um desgoverno fundamentalista e que é visivelmente inimigo do setor cultural.
Por isso não nos espantamos quando o Ministério da Economia, do Turismo e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos  se manifestam contra a Lei Paulo Gustavo que prevê 3,8 bilhõees para a retomada do setor cultural e que estabelece grupos históricamente desfavorecidos como: mulheres, negros, LGBTQIA+, indigenas e deficientes, entre outros, que tenham prioridade na aplicacão do recurso. Tudo absolutamente previsível vindo de uma desgoverno machista, racista, misógino, lgtb fóbico e que investe em propagar a intolerância.

Igualmente publicado no semanário Brasília Capital

Esse veto só reforça o que já sabemos, o desgoverno do inominável odeia a cultura brasileira, e pouco se importa com a trabalhadora e o trabalhador desse setor. Pouco se importa com a produção cultural.

A questão é que eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de ficar vivos e agora esperamos que o Congresso Nacional seja mais inteligente e derrube esse veto, porque investir em desmontar o setor cultural é investir contra a própria Nação.
Abaixo o veto contra a Lei Paulo Gustavo, já!

#derrubavetoaLeiPauloGustavo

#ForaBolsonaro
#Cultura

*Artista feminista representante da sociedade civil no Conselho de Cultura do DF e no Conselho Nacional de Política Cultural e presidente do Conselho de Curadores da Fundação Brasileira de Teatro. É artista educadora graduada pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, pós graduada pela FGV em Desenvolvimento Humano de Gestores.