Pelo projeto constate no site da Semob, a Via UnB-1 (foto) seria o trajeto por onde os veículos chegariam na Asa Norte. Foto de Valéria Mendonça.

“As atividades de ensino e pesquisa da Universidade necessitam de ambientes adequados para a sua realização. Isso supõe, por exemplo, níveis sonoros compatíveis com as atividades em salas de aula e laboratórios ou com os estudos realizados na Biblioteca Central” diz a UnB em nota oficial.

Por Chico Sant’Anna

A Universidade de Brasília não quer ver o campus Darcy Ribeiro sendo atravessado pelas vias da Nova Saída Norte, empreendimento rodoviário de R$ 4 bilhões, que o GDF apresenta como solução de mobilidade urbana para a ligação Plano Piloto região Norte do Distrito Federal. A UnB emitiu nota oficial para informar que não foi procurada pelo GDF, não autorizou a travessia do Campus e que considera inadequadas intervenções viárias que tragam maior circulação de veículos nos seus campi. “As atividades de ensino e pesquisa da Universidade necessitam de ambientes adequados para a sua realização. Isso supõe, por exemplo, níveis sonoros compatíveis com as atividades em salas de aula e laboratórios ou com os estudos realizados na Biblioteca Central”.

Croqui do trajeto proposto

Segundo o documento Projeto Nova Saída Norte – Informações Gerais, constante na página da secretaria de Mobilidade do DF (Semob), a nova ligação possui uma extensão total de 22 km, entre a Av. L2 -Norte na Asa Norte – Plano Piloto e a Rodovia BR-20 Km, no “trevo” de acesso a Sobradinho.

Ao chegar ao Plano Piloto, proveniente de Sobradinho, via Lago Norte, o complexo viário contaria com um grande trevo na L.4 Norte, às margens da poligonal do Campus Darcy Ribeiro, uma estação de BRT, e uma saída atravessaria o campus pela Via UnB 1, que é a que passa entre a ponta Norte do Minhocão e os Pavilhões João Calmon e Multiuso, até chegar a L.2 Norte. Essa também é a informação disponibilizada para fins da audiência pública que o GDF vai realizar. A proposta, de autoria das empresas OAS e JCGontijo, vai de encontro às metas da UnB que disse possuir “diversas ações e estudos em andamento, visando à redução de vias para veículos no campus e aumento da sustentabilidade ambiental”.

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Ao chegar ao Plano Piloto, proveniente de Sobradinho, via Lago Norte, o complexo viário contaria com um grande trevo na L.4 Norte, às margens da poligonal do Campus Darcy Ribeiro, uma estação de BRT, e uma saída atravessaria o campus pela Via UnB-1.

Como um tapa de luva de película, a Universidade conclui sua nota se oferecendo a colaborar com o GDF para a realização de estudos e soluções para os problemas de mobilidade no Distrito Federal. A Semob diz que “será importante a participação e contribuição da UnB nesse processo” e que já há uma nova versão do projeto que não mais contempla a passagem da pelo campus da UnB. “O projeto original foi revisado e ajustado para a realidade atual”, mas não especificou qual o novo caminho optado. Provavelmente, uma das opções é a via N.4 Leste, que já interliga a L.2 a L.4, na altura do Iate Clube. Mas essa opção, que já constava no projeto constante do site da Semob desloca a chegada do fluxo de carro da altura da SQN 408 para a SQN 402.

Terra indisponível

As dores de cabeça do GDF não serão só com a UnB, proprietários de terras onde hoje está o Condomínio Tomahawk, localizado em parte da Serrinha do Paranoá, já tiraram da gaveta uma decisão de 2017 do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, nos autos do processo 0053447-44.2014.4.01.0000/DF, que deixou indisponível uma área de mais de 104,9 alqueires goiano, pertencentes a então denominada fazenda Brejo ou Torto. Como cada alqueire equivale a 48.400 m², isso significa que o tamanho da área indisponível é maior do que a de 64 superquadras. Ou seja, maior do que a soma de todas as superquadras da Asa Sul. Esses alqueires ocupam grande parte da área onde a Terracap quer implantar o loteamento Taquari 2, para uma população de cem mil pessoas, e por onde passa o trajeto da Nova Saída Norte, saindo das margens do Lago Paranoá até a Torre Digital. Embora sejam essas terras que o GDF deseja usar como moeda de paga na PPP para a construção da via, a propriedade da Terracap sobre essa área foi questionada. O processo ainda não acabou, mas há uma decisão que torna indisponível ou local. Ninguém pode vender, lotear, muito menos abrir uma rodovia em seu interior. A Semob alega que essa decisão não estar mais em vigência.

VLT do Salviano

Tradicional liderança política de Planaltina, o urbanista e ex-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Salviano Guimarães, defende que a ligação da Nova Saída Norte seja sobre trilhos. Na avaliação dele, que já elaborou um projeto de metrô suburbano rumo às cidades da parte Norte do DF e Formosa, em Goiás, se valendo do caminho hoje tradicional dos carros, o percurso proposto para a Nova Saída Norte seria muito bem atendido pelos Veículos Leves sobre Trilho – VLT, os modernos bondes elétricos. A essa coluna, Salviano afirmou que pelo mesmo percurso da atual saída Norte, o aclive até a granja do Torto é muito acentuado e exigiria muitas pontes e elevados. Demandando altas somas para viabilizar o projeto.

“Nessa novo itinerário, passando pelo Lago Norte e subindo até a Torre Digital, o aclive é mais suave, o VLT poderia passar pelo Varjão e subir tangenciando até a torre de TV, bifurcando com um ramal para o Paranoá e outro pelo Condomínio RK em direção a Sobradinho” – explica ele, recomendando que o GDF crie um grupo de trabalho específico para coordenar e elaborar todos os estudos e o projeto executivo.

A Semob diz estar aberta a contribuições da sociedade, que pode enviar suas contribuições até 13 de maio, pelo endereço eletrônico consultansn@semob.df.gov.br. No dia 29 de abril, haverá uma audiência pública presencial para apresentar o projeto e debater com a população. O encontro será a partir das 10 horas do dia, no auditório do DER/DF. A audiência também será transmitida pelo canal do Youtube da Secretaria.