Projeto identifica e monitora as capivaras da orla do Lago Paranoá e busca educar ambientalmente a população, promovendo a conscientização sobre a biologia das capivaras e a boa convivência entre estes animais e seres humanos.

Texto e fotos de Márcia Turcato

Quantas capivaras vivem  nas margens do Lago Paranoá? O que elas comem? Quais são seus hábitos? Quais são os outros animais e vegetais que compartilham o mesmo ecossistema?

Para responder essas questões, o curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília (UCB), em parceria com a secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal, realizou 24 horas de atividades científicas na área do Parque Ecológico Ermida Dom Bosco, no Lago Sul, em Brasília. Todas as atividades foram abertas ao público, em especial, à comunidade escolar.

A iniciativa faz parte do Projeto de Identificação e Monitoramento das Capivaras da Orla do Lago Paranoá, que tem como uma de suas metas a educação ambiental, voltada à conscientização da população sobre a biologia das capivaras e a boa convivência entre estes animais e o ser humano.  As ações têm sido, até o momento, voltadas para a coleta de informações sobre a percepção da população sobre as capivaras da orla do lago e também oficinas para parque-educadores e jovens de escolas públicas para conhecer os hábitos das capivaras e o ecossistema em que vivem para criar normas de conduta para população para evitar acidentes quando encontrarem os animais passeando e tomando sol nas margens do lago ou nadando em suas águas.

Para dar maior amplitude à proposta, é que foi realizada a Bioblitz, uma forma de ciência cidadã que envolve a participação popular e o levantamento de toda forma de vida de um local em um determinado período. A Bioblitz é uma oportunidade para o público se conectar com a biodiversidade local, além de gerar dados com valor  científico, além de ser um momento em que cientistas e acadêmicos têm oportunidade de interagir com a comunidade.

Roedor

A capivara é o maior roedor do mundo e é encontrada em toda a América Latina. Apesar de seu comportamento dócil, ela pode ser agressiva quando o bando estiver cuidando de filhotes. Outro risco é a transmissão de doenças, como a febre maculosa, porque a capivara pode ser hospedeira do carrapato que transmite a doença.

A transmissão ocorre através da picada do carrapato estrela contaminado com a bactéria Rickettsia rickettsii. Ao picar e se alimentar do sangue, o carrapato transmite a bactéria através de sua saliva. Nem todo carrapato está contaminado pela bactéria e nem toda capivara é hospedeira. Além disso, a capivara também pode ser vítima da doença, que em alguns casos é fatal. Em humanos, a  febre maculosa causa dor muscular, febre e vômito, entre outras sintomas.

Contexto

Em 2021, a secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal firmou parceria com  a Universidade Católica de Brasília (UCB) para a realização do estudo “Identificação e Monitoramento da População de Capivaras no Lago Paranoá”. O trabalho é realizado por biólogos, com financiamento do Fundo Único do Meio Ambiente (Funam) e tem duração de 15 meses.

O trabalho, que fornecerá subsídios para uma política de manejo e monitoramento das capivaras, é coordenado pela professora da UCB Morgana Bruno,  doutora em Ecologia pela Universidade de Brasília, e pelo pesquisador voluntário José Roberto de Alencar Moreira, doutor em Reprodução e Manejo de Capivaras pela Universidade de Oxford.

Para mais informações:

Instagram- @capivarasdf

Bioblitz-  https://www.nationalgeographic.org/projects/bioblitz