Numa tentativa de apaziguar os ânimos, direção nacional da federação tentou uma "DR". Tudo indica que não rolou. Foto de Ângelo Miguel

Desde que foi formalizada nacionalmente a federação tucano-cidadã, Izalci e Belmonte disputam seu comando. O acordo arquitetado nacionalmente não rendeu frutos locais. A federação dos dois partidos não consegue construir um projeto partidário eleitoral comum.

Por Chico Sant’Anna

Imagine um casamento que deveria ser a chave para o fortalecimento de ambas as partes, da busca de uma vida melhor e mais promissora e que antes mesmo das primeiras bodas ninguém se entende. Se um quer férias na praia, o outro quer na montanha. Se um quer comer churrasco, o outro é vegano. Essa bem pode ser a imagem da federação PSDB/Cidadania na Capital Federal. O acordo arquitetado nacionalmente não rendeu frutos locais. “DR” alguma consegue reagrupar os conjuges. O senador Izalci Lucas (PSDB) e a deputada Paula Belmonte (Cidadania) não conseguem construir um projeto partidário eleitoral comum e, a pouco tempo para a confirmação de candidaturas, se digladiam por projetos diferentes. Belmonte quer apoiar Reguffe (União Brasil) em sua candidatura ao GDF e Izalci quer ser, ele mesmo, o candidato ao Buriti. Ao contrário do matrimônio que pode ser desfeito a qualquer momento, a federações partidárias são obrigadas a sobrexistir por quatro anos. Pelo visto, nesse casamento, os cônjuges dormirão em quartos separados, só que nessa relação tem muita gente está querendo meter a colher.

O processo candango guarda similitudes com o que aconteceu nacionalmente com o ex-governador João Doria, que almejava disputar a presidência da República. Doria acabou sendo vítima de um processo de desmoronamento interno, que contou com a participação ativa do presidente Nacional do Cidadania, Roberto Freire, que defendia a construção de uma candidatura de terceira via com o MDB, União Brasil e outras agremiações.

Guerra de Notas oficiais

Desde que foi formalizada nacionalmente a federação tucano-cidadã, Izalci e Belmonte disputam seu comando. Nota divulgada pelo gabinete de Belmonte informa que “os dirigentes nacionais acordaram, no dia 13/7, que será aplicada a regra prevista no estatuto, que prevê que o controle dos diretórios regionais da federação será dos partidos com maior votação em eleições proporcionais. Como o Cidadania alcançou mais votos no Distrito Federal, a legenda terá 70% da composição, enquanto o PSDB terá 30%.” Entretanto, o presidente regional será o senador Izalci Lucas (PSDB).

A decisão está longe de acalmar os noivos. O Cidadania-DF promete para a primeira reunião do colegiado, marcada para 15/7, se posicionar pela não candidatura de Izalci e o apoio da Federação à candidatura de Reguffe, na qual Belmonte poderia optar entre candidata ao Senado ou vice-governadora. Segundo a nota, o colegiado nacional também definiu o critério de que as candidaturas serão norteadas pela viabilidade eleitoral dos possíveis candidatos majoritários da Federação, conforme análise do Colegiado Distrital.

“Os representantes do Cidadania defendem que a federação se junte ao grupo que apoia a candidatura do senador Reguffe (União Brasil) ao Governo do Distrito Federal. Ao nosso lado, estão outros seis partidos – União Brasil, PSC, Podemos, Novo, PTB e PRTB. Temos confiança em um desfecho positivo”, disse a deputada federal Paula Belmonte, pré-candidata majoritária do Cidadania.

No ninho tucano a percepção é outra. “Decidiram seguir o regimento e o estatuto. Vão constituir a direção local – Izalci presidente e Cidadania com maioria – que se reunirá sexta para tentar um acordo. Como não terá, a federação nacional decide na terça-feira seguinte, com vitória certa de Izalci. Hoje, os 15 integrantes do PSDB já declararam voto no Izalci. Agora é só esperar formalizar” – explica um dos coordenadores da campanha do senador.

Em sua página institucional, Izalci confirma que os quinze integrantes do PSDB, dentre os 19 que compõem a direção nacional da federação, reafirmaram o nome dele como o candidato da federação ao Governo do Distrito Federal. “O presidente da federação, Bruno Araújo, reafirmou que o PSDB indicará o nome do senador Izalci como candidato do partido e da federação ao Governo do Distrito Federal, apoiado por todos os demais 14 representantes do PSDB na direção nacional da federação. Independentemente de haver ou não um acordo na reunião local de sexta-feira”.

De olho no espólio desse matrimônio, além de Reguffe, está José Roberto Arruda, que deseja Izalci num projeto comum para o GDF e Senado: Pelo visto, quartos separados deverá ser a solução para Izalci e Belmonte nos próximos quatro anos. Vale lembrar que o marido de Belmonte é o primeiro suplente de Izalci e lhe seria muito interessante ver a vitória do tucano rumo ao Buriti.