Queimadas destroem o pouco que resta do nosso Cerrado. Foto de Chico Sant'Anna

Por Aldo Paviani*

O Brasil possui vários biomas de grande valor para o país e para o continente sul-americano. Todavia, o brasileiro em geral, acostumado com o verde, não o valoriza suficientemente.

Alguns poderiam deixar as árvores de pé porque são mais valiosas nessa condição do que derrubadas e queimadas. Costumo me referir que os derrubam parte do Cerrado, do Pantanal e da floresta Amazônica não avaliam o quanto esses conjuntos têm valor em pé, muito mais do que derrubadas e destruídas pelas motoserras e por labaredas.

Também me refiro que não precisamos ter “raiva do verde” porque as plantas são vida, são fator de água no aquífero, sombra para o viajante e abrigo para os pássaros construírem ninhos e criam seus filhotes.

Portanto, deixemos todas as plantas como vida, como sombra, como acolhimento duradouro. Não podemos querer cortes radicais de arvores, deixando-as com os troncos nus a serem bafejados por labaredas de forma continuada por quem desejará “limpar o terreno”, pois isso poderá fugir ao controle do incendiário e se espalhar para além das fronteiras de uma fazenda.
Sejamos amigos dessas vidas verdes, porque nos alegram, são aconchego dos pássaros e nos dão sombra ao longo da jornada. Manter as árvores grandes da floresta Amazônica, as retorcidas árvores no Cerrado e as que resistem no Pantanal Matogrossense, a grama e os arbustos da Caatinga nos farão mulheres e homens mais respeitáveis e admirados pela população continental.

Teremos que admitir que, ao admirar e manter o tapete verde, nos fará admirados pela população jovem e crianças do século 21. Veremos que elas serão muito agradecidas a todos nós adultos perseverantes de nossos sistemas ecológicos e ambientais.

*Geógrafo, professor emérito da Universidade de Brasília