Cenas do Boi do Teodoro. Foto de Chico Sant'Anna

A carta, a ser lançada nessa segunda, 26/09, possui dez princípios e 32 itens de compromissos elencados. Os Conselhos Regionais de Cultura do DF estão entre os que propõem o fortalecimento das artes e cultura nas Regiões Administrativas do DF para que toda a população acesse seus direitos culturais. Hoje, a maioria da população não tem acesso à cultura artística, por falta de ações descentralizadas.

Mais de 200 instituições culturais, grupos formais e coletivos informais do movimento cultural do DF elaboraram a a Carta de Compromissos da Cultura 2022, que poderá ser firmada pelos candidatos às eleições. O movimento cultural do Distrito Federal preparou a Carta com o intuito de chamar a atenção de candidatos às eleições aos cargos majoritários e distritais para as pautas de necessidades para o fortalecimento e desenvolvimento do segmento cultural do DF. Espera-se que a adesão de candidatos se traduza em ações, atitudes e defesas de mandatos para organizar, fomentar e desenvolver as políticas públicas de cultura, abrangendo acessibilidade, inclusão, diversidade, apoio às tradições culturais e a ampliação de apoio à defesa do patrimônio cultural e das vocações artísticas em todas as Regiões Administrativas do Distrito Federal.

O setor se queixa da constante instabilidade que enfrenta como as várias tentativas de governos em não cumprir com o cronograma de editais do Fundo de Apoio à Cultura, a baixa efetividade dos normativos regulamentares que afetam o setor como os problemas da Lei do Silêncio, as dificuldades e diferenças relativas ao licenciamento de eventos, as estruturas de bibliotecas públicas e das Gerências de Cultura, que não dispõem de pessoal e orçamento, entre vários outros pontos elencados.

A carta será lançada nessa segunda-feira (26), às 19 horas, na praça central da Câmara Legislativa do Distrito Federal, quando candidatos de todo e qualquer partido e de todos cargos eletivos poderão participar do ato com o movimento cultural e afirmar compromissos com a cultura, aderindo à Carta.

Compromissos

Constam da carta, por exemplo, o compromisso com a criação e reabertura de bibliotecas públicas em todas as Regiões Administrativas do DF (recentemente foi detectada que muitas bibliotecas estão fechadas nas RAs, sem perspectivas de abertura); ampliação dos recursos do Fundo de Apoio à Cultura (atualmente o fundo conta com 0,3% da Receita Líquida do DF e há longa demora anualmente em sua liberação para o setor); formação de artistas e de profissionais para atuam em eventos; a adaptação dos espaços culturais para garantir acessibilidade a deficientes; a discussão sobre o Museu Nacional da Bíblia, sua política museal; o apoio aos novos artistas; a reabertura do Teatro Nacional e dos espaços que estão fechados no Gama, Taguatinga, Ceilândia.

A atriz Tereza Padilha, que dirige o Teatro Mapati há mais de 30 anos, estará no ato da cultura e espera dos candidatos compromissos com os espaços culturais alternativos para que possam manter-se abertos e contribuindo para a vida cultural da cidade: “muitos espaços fecharam as portas na pandemia e não conseguiram reabrir. O Mapati está enfrentando muitas dificuldades, mesmo tendo mais de 30 anos de sólida atuação”, diz Tereza Padilha.

O escritor, jornalista e vice-presidente do Sindicato dos Escritores do DF, Marcos Linhares, espera que finalmente a literatura de escritores de Brasília venha a compor o currículo escolar da educação do DF: “escritores do DF são reconhecidos com os prêmios mais importantes do mundo, como o Hans Christian Andersen, o Prêmio Jabuti, o Prêmio Camões e tantos outros e estudantes do DF não os conhecem. É urgente mudar essa situação”.

A carta também espera o compromisso do GDF e de parlamentares com o desenvolvimento da indústria cultural e movimentar a economia criativa, gerando emprego e renda. O DF tem forte vocação para grandes eventos e precisa ser reforçada, com mais oportunidades e garantias. Dayse Hansa, produtora cultural que acaba de chegar de uma imersão com produtores de todo o país, reforça o potencial empreendedor cultural do DF. Os eventos geram milhares de empregos diretos e indiretos com a prestação de serviços em backstage (iluminação, sonorização, apoio de palcos etc), alimentação, hotelaria em todo o mundo. Dayse Hansa afirma que “o DF está com forte tendência de aumentar substancialmente o interesse de grandes produções nas áreas de música, teatro, literatura e, também, ligadas ao turismo cultural e arquitetônico. É necessário investir e criar política para grandes eventos”.

As escolas precisam abrir-se para a formação de plateia, com programa de apoio à participação de estudantes em exposições, espetáculos de teatro, circo e cinema como parte da formação educacional e cultural.

A carta possui 10 princípios e 32 itens de compromissos elencados. Os Conselhos Regionais de Cultura do DF estão entre os que propõem o fortalecimento das artes e cultura nas Regiões Administrativas do DF para que toda a população acesse seus direitos culturais. Hoje, a maioria da população não tem acesso à cultura artística, por falta de ações descentralizadas.

Gerações inteiras estão sem acesso aos teatros e espetáculos musicais por falta de espaços ou de apoio à mobilidade para participar. Basta lembrar que o Teatro Nacional Claudio Santoro, por exemplo, está fechado desde 2014, e o Cine Itapuã do Gama desde 2005.

Sonia Pereira dos Reis Silva, presidente do Conselho Regional de Cultura de Brazlândia, reforça que amplas oportunidades podem ser criadas com a atenção do poder público: “com um pouco de vontade e decisão política e algum investimento em infraestrutura e apoio aos artistas locais, é possível garantir condições para ocupação cultural de praças, parques, áreas livres e palcos abertos para experimentação artística, espetáculos e outras manifestações culturais”.

“A cultura favorece a sensação de segurança em sua população ao propiciar a convivência comunitária, o entretenimento e a formação intelectual com estética e os simbolismos das artes, da literatura, das imagens e sons com suas múltiplas possibilidades”, completa a presidente do Conselho Regional de Cultura do Plano Piloto, Cleide Soares.

Uma cidade patrimônio cultural da humanidade não ter sólido incentivo às artes e à formação cultural não tem o menor sentido. É necessário ampliar e diversificar o acesso e promover a criação e fruição. O momento atual de pós-pandemia requer mais atenção à cultura.

Serviço:
Lançamento da Carta Compromisso Eleitoral com a Cultura nas Eleições 2022
Quando: 26 de setembro, às 19 horas
Local: Câmara Legislativa do DF
Mais informações: Cleide Soares (CRC Plano Piloto) celular: 9 9548-1181