Poema de Luiz Martins da Silva.
Escultura sobre desenho de Corine Pagny

 

Eles salvam baleias, não salvam?

Também as nossas famílias

Agonizam sobre as ondas.

Eles irão nos acolher.

 

Um dia, também vieram

Acostar-se em nossas praias.

Tanto tempo nossas terras

Repartidas em colônias.

 

Fazem parte de uma União.

Também queremos unir-nos

Aos que um dia nos ungiram

No aceno de fé e oração.

 

Também teremos direitos,

Universais, consagrados?

Golfinhos talvez entendam

O que estar à deriva.

 

Eles recolhem das águas

Tanta riqueza perene.

Reconhecem na paisagem

Crianças, mulheres, homens?

 

Lampedusa, meu amor,

Não me sejas Hiroshima.

Pois já diviso teus braços.

Tua areia, meu destino.

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