Em 2018, o orçamento da UnB foi de R$ 1,7 bilhão, quase todo ele injetado na economia candanga, seja sob a forma de salários, bolsas, seja em compras de bens e serviços, construções e reformas. A geração de renda vai da vendedora de dim-dim à grande construtora ou empresa de vigilância. Nenhuma outra instituição sediada na Capital, privada ou pública, tem o peso econômico que a UnB possui e, muito menos, a interface social que ela proporciona.

 

Por Chico Sant’Anna

Começa a mobilização pela defesa da integridade orçamentária da Universidade de Brasília. Alunos, ex-alunos, professores e servidores deram um grande abraço na Biblioteca do Campus Darcy Ribeiro. O Ato contou inclusive com a presença de parlamentares de outros Estados, mas nem toda comunidade política do DF esteve lá presente.

Dos candidatos ao GDF em 2018, só a professora Fátima Sousa esteve presente, da atual gestão do GDF,  nem mesmo o secretário de Educação foi defender a principal instituição de ensino da Capital.

Dos 24 distritais, contei a presença de três: Fábio Felix (Psol), Leandro Grass (Rede) e Chico Vigilante (PT). Dos oito federais do DF, vi dois: Erika Kokai (PT) e Professor Israel Batista (PV). Nenhum dos três senadores candangos se fez presente, embora alguns tenham enviado assessores para representa-los.

A lista de faltosos vai além. Dos seis ex-reitores ainda vivos, todos eleitos pela comunidade acadêmica, contei a presença de apenas um: professor José Geraldo de Sousa Junior.

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Publicada originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

Importância acadêmica

Segundo a 20ª edição do Anuário Estatístico da UnB, até 2017, ela havia diplomado mais de 145 mil estudantes de graduação e pós-graduação.

Há dois anos, eram cerca de 50 mil universitários matriculados em um de seus 153 cursos de graduação ou 158 cursos de mestrado e doutorado. As estatísticas desmentem aqueles que dizem que é uma instituição para as elites. Dados do perfil social demonstram que apenas 39% dos alunos são da cor branca, 46,9 são declarados negros ou pardos.

Sem contar com uma universidade pública estadual, quem desempenha esse papel no Distrito Federal acaba sendo a Universidade de Brasília, principalmente após a criação dos campi de Gama, Ceilândia e Planaltina.

A população de Brasília conta com uma importante ajuda na área da saúde humana e animal. Em 2016, o Hospital Universitário de Brasília – HUB realizou mais de um milhão de procedimentos, entre consultas médicas e odontológicas, cirurgias, exames, hemodiálises, dentre outros. No atendimento aos animais domésticos e rurais, mais de 35 mil procedimentos foram realizados pelo Hospital Veterinário, entre exames, cirurgias e internações, em 2017.

Dos candidatos ao GDF em 2018, só a professora Fátima Sousa esteve presente, da atual gestão do GDF, nem mesmo o secretário de Educação foi defender a principal instituição de ensino da Capital.

Importância econômica para o DF

Em uma cidade em que não há um setor industrial pungente, a presença de uma instituição como a Universidade de Brasília ganha importância que vai além do seu papel na Educação, Pesquisa e Extensão.

Em 2018, o orçamento da UnB foi de R$ 1,7 bilhão, quase todo ele injetado na economia candanga, seja sob a forma de salários, bolsas, seja em compras de bens e serviços, construções e reformas. A sua presença movimenta também atividades do campo da atração do chamado Turismo de Educação – pessoas que se deslocam para Brasília para participarem de eventos, cursos ou mesmo para trilhar toda a formação acadêmica. Com isso ganham os setores de hotelaria, restauração e também de locação de imóveis.

Dos 24 distritais, contei a presença de três: Fábiodro Grass (Rede) e Chico Vigilante (PT). Dos oito federais do DF, vi dois: Erika Kokai (PT) e Professor Israel Batista (PV). Nenhum dos três senadores candangos se fez presente, embora alguns tenham enviado assessores para representa-los.
Dos 24 distritais, contei a presença de três: Fábio Felix (Psol), Leandro Grass (Rede) e Chico Vigilante (PT). Dos oito federais do DF, vi dois: Erika Kokai (PT) e Professor Israel Batista (PV). Nenhum dos três senadores candangos se fez presente, embora alguns tenham enviado assessores para representa-los.

A universidade faz girar toda a economia candanga, contribuindo para a geração de renda e empregos. Entre professores e servidores administrativos, a UnB gera mais de seis mil empregos diretos, sem contar os empregos terceirizados, notadamente nos serviços de limpeza, conservação e vigilância.

Por isso, um garrote federal sufocando a sobrevivência da universidade se torna também num aperto na vida de todos os brasilienses. E os ausentes ao ato de desagravo da UnB parecem não perceber a importância global da UnB pro DF. A sensação que se tem é que para esse segmento, a UnB é um problema federal, que não diz respeito à cidade. Estão errados. As classes política, empresarial, os trabalhadores, os estudantes – mesmo os não universitários – precisam compreender que a decadência dessa instituição de ensino representará também decadência para a população de Brasília. Os empregos que a UnB gera vão da Estrutural ao Lago Sul. A geração de renda vai da vendedora de dim-dim à grande construtora ou empresa de vigilância. Nenhuma outra instituição sediada na Capital, privada ou pública, tem o peso econômico que a UnB possui e, muito menos, a interface social que ela proporciona.

A classe política nacional já entendeu o que representa o sucateamento das universidades federais em todo país. Na Câmara Federal, todos os partidos de oposição entraram em obstrução por causa dos cortes de verbas nas universidades públicas e na educação básica. Não votarão nada até governo dar uma solução para direcionar recursos suficientes para a educação.

Está na hora de Brasília também acordar. A defesa de nossa cidade e de nossa principal universidade não deve ser restrita à comunidade acadêmica, não deve ter cor, partido ou classe social. Todos devem abraçar essa causa, pois ela vai além da cerca do campus. Candidatos, eleitos ou não, devem demonstrar explicitamente seu compromisso com o DF e com a UnB.