Rodovalho quer que Temer facilite empréstimos a templos neopentecostais

templo-de-salocao-iurdPor Chico Sant’Anna

 

Depois de propor o saque do FGTS do trabalhador para construção de templos, Rodovalho quer agora que Temer facilite a liberação de empréstimos bancários.

Se já não bastasse possuir isenção de impostos, que vão do IPTU dos imóveis ao ICMS sobre a venda de produtos da fé, passando pelo Imposto de Renda – além, é claro, de terrenos gratuitos -, líderes evangélicos querem, agora, que o governo Temer facilite a concessão de empréstimos para as organizações confessionais. Eles foram pedir ao presidente, que padece de baixos índices de popularidade, que faça a interlocução junto aos bancos públicos e privados para que as igrejas consigam linhas de financiamento para a construção de templos.

O pleito foi levado pelo bispo fundador da Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho, ao Palácio do Planalto, que o tratou diretamente com o presidente Michel Temer e com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, no mês julho, ainda durante a interinidade do governo do então vice-presidente, segundo informa o Painel da Folha, no portal UOL.

A notícia, divulgada pela Folha de São Paulo e pelo portal do UOL, surge poucos dias depois da Igreja Universal do Reino de Deus anunciar a construção de um mega templo na cidade satélite de Taguatinga. Segundo o jornalista Guilherme Amado, do jornal O Globo, Edir Macedo comprou um gigantesco terreno em Taguatinga para construir o segundo Templo de Salomão, em uma versão um pouco menor do que o de São Paulo, inaugurado há dois anos”, informou Amado. Só no terreno, “o chefe da Universal pagou R$ 90 milhões”, acrescentou o jornalista.

Com capacidade para receber dez mil pessoas, a atual sede da Igreja Universal do Reino de Deus, no bairro do Brás, em São Paulo, foi erguida ao custo de R$ 685 milhões, levando quatro anos para ser concluída.

De acordo com o presidente da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil e fundador da Sara Nossa Terra, bispo Robson Rodovalho,  eles (instituições religiosas) reivindicam ser tratados como clientes comuns, sem preconceitos nem privilégios”. Hoje, diz, quando tentam pegar empréstimos, as instituições não aceitam.

templo-sara-nossa-terraPistolão

O que na verdade os líderes neopentecostais desejam é o que no passado se chamava de pistolão.

Mas hoje é traduzido como sendo “ajuda governamental”. Pleiteia-se que o presidente da República ajude na articulação com os conselhos de administração dos bancos. “Ainda não se tem confiança na igreja como cliente. Apresentamos nosso patrimônio como garantia e não aceitam – disse Rodovalho.”

Entretanto, o desejo de obter empréstimos facilitados pode não ser, necessariamente, uma ambição coletiva dos pastores, mas sim uma solução particular para o Bispo Rodovalho. Segundo o portal  Nova Agência Gospel, “o Bispo Rodovalho, líder da Sara Nossa Terra, resolveu promover uma competição particular com o bispo Edir Macedo, da Universal do Reino de Deus, que acabou de inaugurar o megatemplo de Salomão, em São Paulo.” Ainda segundo o portal, Rodovalho, ambiciona desde 2014, “construir um templo maior que o de Salomão. Seria em Brasília, com capacidade para 18.000 pessoas sentadas.

Trajetória política

Em maio de 2008, Rodovalho assumiu a secretaria de Trabalho do GDF, no governo de José Roberto Arruda. Em setembro de 2009, deixou o Democratas e migrou para Partido Progressista – PP. Esta decisão lhe custou, em agosto de 2010, a perda do mandato de deputado federal por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, por infidelidade partidária.

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Ainda em 2009, Rodovalho se envolveu indiretamente com o escândalo da Caixa de Pandora. Seu pupilo, Leonardo Prudente, também da Sara Nossa Terra, foi pego no Mensalão do Dem, tendo sido gravado no que ficou conhecido como a Oração da Propina.

Nome indicado pela Igreja Sara Nossa Terra e eleito deputado distrital, Leonardo Prudente, tido como pupilo de Rodovalho, foi gravado escondendo dinheiro na meia.
Veja o vídeo

Recursos Públicos

Historicamente, as relações do bispo Rodovalho com verbas públicas não são das mais salutares. O bispo Robson Rodovalho, que em outubro de 2006, foi eleito deputado federal, representando o Distrito Federal, pelo PFL, hoje Democratas, foi denunciado, em 2009, por ceder cotas de passagens aéreas para pastores e músicos cristãos participarem de evento evangélico apoiado pela Igreja Evangélica Sara Nossa Terra, realizado em Brasília em agosto de 2007.

Em 2007,  projeto de Rodovalho, transformado em lei federal, garantiu apoio com recursos públicos à música Gospel. A lei sancionada aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente Dilma Roussef, classificava a música e os eventos gospel, como manifestação cultural, permitindo assim, que esse tipo de produção musical passe a receber os benefícios previstos na legislação federal de incentivo à cultura, inclusive a Lei 8.313/91, conhecida como Lei Rouanet.

Rodovalho apresentou projeto de lei permitindo saques no FGTS para financiar a construção de templos.

Rodovalho apresentou projeto de lei permitindo saques no FGTS para financiar a construção de templos.

Antes de se cassado em 2010, Rodovalho apresentou um projeto de lei que incluía dentre as opções de saques do FGTS do trabalhador, que o dinheiro fosse usado para financiar a construção de templos religiosos. A proposta de nova regulamentação permitiria que os fiéis, em vez de utilizarem o dinheiro que economizam ao longo dos anos de trabalho para financiar, por exemplo, a casa própria, pudessem  repassar suas economias para as igrejas. O projeto não avançou, mas deu filhote. Em 2011, o deputado paraibano Aguinaldo Ribeiro, também do PP, apresentou o Projeto de Lei 3044/2011 com igual propósito.

Comentando à imprensa seu projeto de destinar o FGTS do trabalhador aos templos, Rodovalho disse ser legítimo, pois possibilitava aos brasileiros o uso desses recursos para ajudar a construir “agências de cidadania”.

Sobre Brasília, por Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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