Texto e foto de Sandra Fayad

Domingo a gente se encontra
É dia de Parque Olhos D’água,
pequena amostra do cerrado
sem ema, sabiá, tamanduá,
sem lontra, onça, lobo-guará

Às nove, sempre aos domingos,
Começo bem nas “setecentos”,
Atravesso a W3 nos semáforos,
e vou dar nos fundos das “trezentos”.

Tiro óculos de sol e chapéu,
Chapéus agora são galhos de árvores
entre a calçada quebrada e o céu.

Param na faixa motoristas e eu sigo.
Respeita-se o pedestre.
“Cento e Treze Norte”!
A Quadra dos milicos, a campestre.

Desço a escadaria lateral,
Paro no meio-fio do Eixo W
Olho para o alto e pergunto ao Mestre:
– Atravesso aqui ou na passagem subterrânea?

“Passagem subterrânea? Por enquanto, abandone-a”!
Sem esperança, arrisco no “eixinho de cima”:
na pista mais difícil: a Norte-Sul;

depois na mais deserta, a inversa.
Sorrio de cara com a cara do Eixão
rodeado de árvores , gramado, jardins,
coalhado de gente que caminha, corre, desfila.
Filhos, netos, irmãos, cães, bicicletas, patins.

Faixa central – a preferida dos atletas.
Três quilômetros para o Sul é cafuné nos pés.
Nas tesourinhas, quatro rodas estacionadas;
Nas laterais, água de coco, salada de frutas, picolé;

Faixas: vendo lotes, apartamentos, cãezinhos,
Massagem expressa e chamamento à fé.
Bom-dia, vizinha! Olá, criancinha! Ôi, coleguinha!
Três quilômetros para o norte. Fim do “longão”.

Pela trilha no gramado vou dar no Eixo L,
Na mente, uma canção. Atravesso.
No sentido Norte-Sul – vazia;
No sentido Sul-Norte –  cheia.

SCLN 213/214, vestido de branco e azul.
Abaixo alambrado da felicidade,
Cem metros mais e o portão central.
À esquerda praça da melhor idade:
Meu destino final!