revolver-closePor Chico Sant’Anna

 

Os números não mentem. A insegurança que a sociedade de Brasília sente é real.
Nos primeiros 20 dias de setembro, o DF registrou 2.416 furtos, nas diferentes modalidades. Uma média de 120 por dia.

Comparando-se ao mesmo período de 2015, o volume de furtos no Distrito Federal cresceu mais de sete vezes: aumento de 689%. E o mais grave, a capacidade da estrutura em segurança pública em evitar tais ocorrências se revela mais precária. Caiu em quase 86% a quantidade de flagrantes, que é quando o criminoso é identificado e preso em até 24 horas após o crime cometido.

Do total de furtos registrados nos primeiros vinte dias de setembro desse ano, 384 foram de veículos, ou seja, 19,2 carros ou motos por dia, quase um por hora. A cada 24 horas, há 36 furtos no interior de veículos e, praticamente, três bicicletas são roubadas. A cada hora uma casa foi furtada. Áreas tranquilas até então, como o Park Way, passaram a ser alvo predileto dos criminosos.

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant'Anna do semanário Brasília Capital
Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna do semanário Brasília Capital

Percentualmente, os tipos de furtos que mais cresceram entre setembro desse ano e de 2015, foram os cometidos em transporte coletivo, 2.000%, e a pedestres, 1.253,9%. Em termos absolutos, mais de dois mil pedestres foram alvo de ladrões nos vinte primeiro dias de setembro. São 200 cidadãos sendo furtados a cada dia.

E esses dados, levantados pela Divisão de Apoio Técnico e Estratégico da Polícia Civil do DF, não incluem ocorrências mais violentas, tais como homicídio, sequestro, violência sexual, agressão física, crimes de trânsito, dentre outros.

E a resposta das autoridades é que não há estrutura, não há pessoal, não há isso, não há aquilo.

Se há falta de contingente e de recursos para contratar mais, é urgente rever a jornada de trabalho de nossos policiais: 12 horas de trabalho por 36 de folga, nos dias de hoje, chega a ser um privilégio. Ainda mais quando se sabe que na folga, que seria para diminuir o stress do perigo da profissão, muitos vão fazer bico como segurança em eventos.

Por que não unificar logo?

Há décadas, organismos internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos da ONU, pressionam o Brasil a por fim a Polícia Militar. A corporação é vista como resquício da ditadura militar e responsável por inúmeros casos de violência a jovens pobres e negros.

Em momentos como o que Brasília passa – polícias Civil e Militar se digladiando por competências jurídicas e equiparações salarias -, ganha espaço novamente a questão. Por que o Brasil, como a maioria das democracias ocidentais não unifica suas policias? Com polícia única, além de melhor gestão na Segurança Pública e fim de impasses corporativos, traz-se-á otimização de recursos com o fim de paralelismos. No DF, onde há uma delegacia de polícia, tem um quartel da PM, onde tem um delegado, há um comandante de um batalhão. Dois prédios, viaturas em dobro, máquina burocrática em dobro e eficiência pela metade.

 

 

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