Cerca de 700 pessoas, dentre idosos e crianças, foram removidos da Ocupação Quilombo de Anastácia, do MTST, em Planaltina. Foto Mídia Ninja

A área ocupada pelas famílias está ociosa há pelo menos vinte anos e que não cumpre nenhuma função social. A propriedade do imóvel inclusive está sob suspeição, pois a pessoa que alega ser proprietária, e que reivindica o terreno, não possui documentos que comprove a titularidade.

Por Chico Sant’Anna, com base em informes da Mídia Ninja

Mais de 200 famílias da Ocupação Quilombo de Anastácia, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto do Distrito Federal (MTST-DF), em Planaltina-DF, foram alvo de uma ação de reintegração de posse, determinada pelo judiciário do Distrito Federal e executada na manhã desta terça-feira, 4. Desde 29 de novembro, cerca de 230 famílias ocupavam uma área de 20 mil metros quadrados, às margens da BR-020, em Planaltina-DF. No local foi instituído o Acampamento Quilombo Anastácia. Na operação, foram desalojados idosos, crianças e mulheres. Pelo apurado não houve resistência das famílias nem confronto com os policiais. Não há informações sobre o destino dos desalojados.

Advogados voluntários questionaram a legalidade da ação, pois as famílias não teriam sido notificadas formalmente e souberam através de parceiros e apoiadores jurídicos que a operação poderia acontecer entre 4 e 6 de fevereiro.

Para mais detalhes sobre a ocupação, leia:

Realocação

Além disso, o governo não deu nenhum suporte para realocar as pessoas: quem não tem para onde ir. Elas deveriam ser encaminhadas para um abrigo, mas os representantes do GDF presentes não sabiam informar para qual nem se haveria vagas para todos. Segundo denúncias dos organizadores da Ocupação, não houve, por parte da secretaria de Desenvolvimento Social – Sedest um cadastramento socioeconômico para classificar se as pessoas são, de acordo com os critérios, necessitadas.

A área ocupada pelas famílias está ociosa há pelo menos vinte anos e que não cumpre nenhuma função social. A propriedade do imóvel inclusive está sob suspeição, pois a pessoa que alega ser proprietária, e que reivindica o terreno, não possui documentos que comprove a titularidade. Foram apresentados documentos de áreas próximas ao imóvel, mas não referente à ocupada pelo Acampamento.

Negociações

Em nota oficial, o MTST informa que as negociações com o GDF avançam e que já foram indicadas três áreas para análise da Companhia de Habitação do DF, que possam receber os moradores agora desalojados.