Como alguém que coloca de castigo o filho que fez coisa errada, Carlos Guerra, patriarca da família, fundador do Giraffas e o verdadeiro dono das empresas diz que segue as orientações das autoridades sanitárias, que não apoia o governo e que o filho não é mais o CEO do grupo econômico e que concordou em deixar de ser acionista dele.

 

Por Chico Sant’Anna

Foi um puxão de orelha, em público e pelas redes sociais. Daqueles bem dados. O portal Metropoles informa que o empresário Carlos Guerra, acionista maior do grupo Giraffas exonerou o filho, Alexandre Guerra das funções de Chief Executive Officer (CEO), diretor executivo em Português do grupo econômico Giraffas. O empresário disse ainda discordar das recentes declarações do filho – também em vídeo pelas redes sociais –  e que ambos concordaram “para evitar esse tipo de vínculo (politico com o grupo econômico, que), Alexandre deixe de ser acionista da empresa”.

Para se lembrar

No Domingo, 22/3, o Blog Brasília, por Chico Sant’Anna trouxe em primeira mão o vídeo com as declarações do ex-candidato do Partido Novo, nas eleições de 2018, ao GDF. Nele, Alexandre Guerra mais do que subestimou o impacto das mortes que a Pandemia de Coronavírus pode causar no Brasil. Ele relativizou a importância de tais mortes diante dos impactos econômicos que poderão advir. “Daqui a três ou quatro meses, a pandemia de coronavírus terá passado e uma crise econômica sistêmica, que virá, será mais grave do que os reflexos na saúde da população” – ressaltou.

O vídeo circulou livremente pelas redes sociais, em especial pelos grupos de whatsapp. Teoricamente, tratava-se de uma análise de Alexandre Costa enviada a empresários aos quais ele presta consultoria.

No vídeo, Alexandre Giraffinha, como ficou conhecido nas eleições, por ser o CEO da rede de lanchonetes Giraffas, coloca em segundo plano o reflexo dos impactos das mortes e dos acometidos pela doença propagada pela Pandemia do Coronavírus. “Se você pensa que o custo dessa crise vão ser pessoas doentes, mortas, infectadas em razão desse vírus, esse não vai ser o maior custo para a população brasileira. O que não está sendo tratado é o reflexo que as medidas remediadoras vão ocasionar para as pessoas brasileiras. Qual que é o custo disso? […] “Eu tenho funcionários, tenho boletos tenho contas a pagar” – disse ele.

Antes de terminar sua mensagem de 4’15” de duração, o empresário-político, ainda exortou seus parceiros da iniciativa privada a não serem sensíveis nesse momento. “Empresário tome aquelas decisões mais duras que você não tem coragem de tomar, tome as agora.”

Repercussões

As declarações de Alexandre Guerra causaram indignação dentre candidatos ao GDF, em 2018, Fátima Sousa (Psol), Júlio Miragaya (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB), todos condenaram as palavras e defenderam a maior atenção a salvar vidas. O governador Ibaneis Rocha não se pronunciou.

O vídeo correu as redes sociais nacionalmente e causou perplexidade em muita gente. Populares chegaram a defender boicote ao grupo Giraffas. Empresários franqueados correram para dizer que nem toda lanchonete pertence a Alexandre Guerra e que havia franqueadores que não pensavam da mesma forma.

A palavra final, como alguém que coloca de castigo o filho que fez coisa errada, veio do patriarca da família, Carlos Guerra. Também em vídeo, ele se apresenta como fundador do Giraffas, presidente do conselho de administração, e o verdadeiro dono das empresas. Ao contrário do filho, que apoiou Jair Bolsonaro, no segundo turno das eleições, Carlos Guerra afirma que o grupo não apoia esse governo, nem nenhum governo, porque os vários associados têm visões ideológicas diversas. “Somos uma empresa pluralista […] “Neste momento, só eu estou autorizado” – disse.

Não se tem notícia da reação de Alexandre Guerra após a sua demissão do comando da rede Giraffas. Criada em 1981, na Capital Federal, ela é hoje uma força econômica, com cerca de 400 lanchonetes (próprias e fraqueadas) espalhadas em dez Estados, além dos Estados Unidos e Paraguai. Em 2015, segundo a Revista Forbes, o grupo contava com nove mil funcionários e faturamento de R$ 860 milhões. Carlos Guerra afirmou que colocou seus funcionários em férias coletivas remuneradas e que todos terão os empregos garantidos quando tudo passar

Reveja aqui o vídeo com as declarações de Alexandre Guerra

Veja aqui as declarações de Carlos Guerra