img-20161007-wa0186Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Alan Marques

Ai, de nós, que somos parte de ti.
Ai, de ti, Haiti, tu que estás no anel
Do noivado e de lua de mel
Entre o furacão e a miséria.

Ai, de nós, carnes das mesmas unhas,
Irmãos xifópagos no sofrimento,
Tributo à chuva e ao vento.
Ai, de nós, tantas pena de ti na tevê.

Oh! Meu irmão do Haiti, ai de nós.
Eu nem me havia anestesiado
De teu último arraso
E já te renovas em escombros.

Ai, de mim, que ligo a tevê
Para saber se o mundo persiste.
E constato o quanto resistes
Em se repetir em manchetes.

Por ti meu coração dói,
Tão pródigo em tragédias.
Por que não te fartas de mortos
E de mim sob escombros?

Quão ridículos no espelho
São dilemas e miudezas
Ninharias que me tiram o sono.
Hoje, eu e tu somos, hematomas.

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