Perdemos o controle de Brasília e seremos condenados por isso

Por Renato Riella, publicado originalmente no Blog do Riella

A geração dos brasilienses que têm entre 30 e 70 anos hoje entrará na história como aquela que fez Brasília e as demais áreas urbanas se perderem. São tantos os abusos praticados na estrutura urbana do Distrito Federal que podemos considerar o sonho de JK perdido. A Capital Federal será um caos.

Não adianta dizer que a Câmara Legislativa adiou para o próximo ano a votação do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB). Este documento é complexo e discutível, mas antes dele todos os estragos já foram feitos. Acabará aprovado de forma trágica, como sempre.

Sobre este tema, leia também:

Um dos maiores absurdos em Brasília é o adensamento criminoso permitido para a área próxima ao Parkshopping. Governos futuros gastarão bilhões de reais e não conseguirão dar condições razoáveis de uso para as vias que passam naquela área.

Lembremos nós, os mais velhos, da venda do antigo Pelezão, feita pela Confederação Brasiliense de Futebol ao empresário Paulo Octávio. Na época, alegou-se que o enorme terreno ocupado por um velho estádio tinha destinação específica, não podendo ser usado para especulação imobiliária.

Vimos que a negociação foi mantida e o setor acabou repassado a outros empresários, resultando na construção de enormes prédios numa região que já vivia entalada.

O mesmo vale para muitas outras áreas, como Águas Claras, onde o planejamento original previa prédios de até 12 andares, mas hoje há construções com quase 30 andares. Águas Claras, sabemos bem, é um caos crescente, agravado pela falta de investimento no Metrô, que seria o principal meio de transporte da região.

Houve construções complicadas no Guará e em muitas outras cidades, inclusive no Sudoeste, que revelou-se uma área problemática, onde engarrafamentos infernizam os moradores.

Na beira do Lago Paranoá, surgiram condomínios residenciais como Ilhas do Lago, vetados originariamente no DF, mas implantados como se fossem hoteis.

Temos agora a perspectiva da criação de uma monstruosa cidade (monstruosa de monstro, mesmo), abrangendo parte de São Sebastião e Santa Maria, que poderá estourar o trânsito na Ponte JK, entre outros graves problemas.

Tivemos em 2009 a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF (PDOT), quando se sabe que o lobby imobiliário da cidade comprou o voto de pelo menos 19 deputados distritais.

Com isso, enormes áreas do DF que eram definidas como rurais foram transformadas em urbanas. Houve o caso da valorização por dez ou vinte vezes de lotes, com a simples mudança de destinação.

Tudo isso em meio ao escândalo da Caixa de Pandora, mas ainda assim as principais aberrações permaneceram, condenando as gerações futuras do DF a viver uma vida infernal, como cidades problemáticas que proliferam pelo Brasil.

Assim, teremos agora o PPCUB. Mantidas as condições vigentes nos últimos tempos, será mais um instrumento de condenação para a Brasília feita (mal feita) pelas nossas gerações.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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8 respostas para Perdemos o controle de Brasília e seremos condenados por isso

  1. Reblogged this on URBANISTAS POR BRASÍLIA and commented:
    Vale destacar que o posicionamento da CCJ não foi seguido pela CLDF enquanto instituição. Então o PPCUB não foi adiado para 2014. Estamos no meio de uma guerra e precisamos da sociedade atenta pressionando!

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  2. natanry ludovico osorio disse:

    Enquanto resta alguma esperanca, em “meio de uma guerra”, de fato, “(…) precisamos da sociedade atenta pressionando!” Pressionando, como vimos hoje, um grupo de moradores da QL10, reunidos para reagir contra a construcao de mais um posto de gasolina no canteiro central da Estrada Parque Dom Bosco -EPDB na QL.10 entre os conj 2 e 3-Lago Sul. Assustador e merece investigacao, foi a informacao de que tal posto, que ficaria entre outros dois, distante apenas 900 metros um do outro, jamais ira dar lucro e saber que o socio majoritario com 95,5% das cotas do posto e um jovem de 19 anos, cujas cotas recebeu de empresaria de moda,tendo uma irma que e casada com o pai.do bem sucedido jovem.Ficaram duvidas e mais duvidas inclusive sobre a aprovacao do projeto na RAXVI, ao que foi dito, sem EIV-Estudo de Impacto de Vizinhanca,,RIT-Relatorio de Impacto de Trafego e licenca do IBRAM vencida..Vamos todos acordar, ficar atento e pressionando em todos os setores se quisermos Brasilia para as atuais e geracoes futuras…

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    • Parabéns Natanry por abraçar a causa da proteção à terra que nos recebeu de braços abertos e que ajudamos a construir! Brasília nos deu inúmeras alegrias na juventude e fortificou nossas raízes através das amizades que nela fizemos. Nada mais justo do que sairmos em defesa da nossa cidade berço e do sonho de JK! Nós, pioneiros, devemos isso a JK, Lucio Costa, Bernardo Sayão e tantos outros que acreditaram no futuro de Brasília, bem como aos candangos que a levantaram com muito suor e dores!!!!

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  3. Klai Setso disse:

    Amigo, concordo, mas faltou citar um dos piores casos de todos: a falácia mentirosa que destroi a última área de Cerrado de Brasília e a comunidade indígena Tapuya: o fatídico Setor Noroeste!

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  4. O Sr Riella ainda não esclareceu por que ele se omitiu em falar dos puxadinhos. Ele é a favor? Sabemos que os puxadinhos foram os primeiros a fazerem os Puxadões e a proporcionar a baderna no PP e no DF. E Fica a pergunta: Como é possível fazer um trabalho deste (PPCUB) sem um seminário nacional para inicialmente ENTENDERMOS Lucio Costa, depois a Cidade e nossas ansiedades. É muito amadorismo para uma secretaria só. Respeito para com a população é o que deve nortear o incio de qualquer trabalho desta magnitude.

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  7. Jeanete Aparecida da Silva Souza F 8408.7750 disse:

    Outro absurdo que que não tenho visto ninguém comentar foi o absurdo do sr. Geraldo Magela ter usurpado a área destinada ao metrô entre as cidades de Recanto das Emas e Riacho Fundo II, transformando em empreendimento imobiliário dado a construtora Montijo, que soube, mas não confirmei informação, tratasse da Mendes Junior.
    O governo tem tentado fazer o “Parque das Bençãos” , empreendimento habitacional para quase 120 mil habitantes e mais um Polo habitacional em um terreno frágil onde aconteceu um afundamento de mais de 70 metros de diâmetro com profundidade de 6 metros na área de corredor ecológico e nascentes.
    Um pais que pretende abrigar, ano que vem o VIII Forum Internacional das Águas, quer passar uma estrada sobre as maiores nascentes da região NO NÚCLEO RURAL VARGEM DA BENÇÃO.
    Precisamos denunciar internacionalmente.

    Este video fala do que está acontecendo conosco: http://youtu.be/DFgffJywHus

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