Dos oito deputados federais do Distrito Federal, apenas Erika Kokai – PT já se posicionou. Disse que votará sim pela autorização de processar Temer. Os demais sete federais candangos estão na moita.

 

Por Chico Sant’Anna

 

Caberá à Câmara dos Deputados autorizar a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal contra o presidente Michel Temer, acusado, dentre outras coisas, de corrupção. O voto será aberto e, em plenário, será necessária a concordância de pelo menos 324 deputados. Não será uma tarefa fácil de convencimento tanto para a acusação, quanto para a defesa.

Parlamentares estão na moita. Não revelam suas convicções. Seja por medo das pressões populares, seja para se fazer de difícil e ser adulado pelo Planalto. Na bancada federal candanga, por exemplo, com exceção da deputada Erika Kokai – PT, nenhum dos demais sete federais revela publicamente como irá votar. Estão escondendo o jogo. Só Kokai, a única mulher da bancada, teve coragem de expor publicamente sua posição. Ela vota pela admissibilidade do processo contra Temer.

Só Kokai, a única mulher da bancada, teve coragem de expor publicamente sua posição. Ela vota pela admissibilidade do processo contra Temer.

Na moita

Em uma pesquisa divulgada recentemente pelo jornal Folha de São Paulo, os demais sete deputados do DF – Izalci Lucas – PSDB, Roney Nemer – PMDB, Alberto Fraga – DEM, Ronaldo Fonseca – Pros, Rogério Rosso – PSD, Augusto Carvalho – Solidariedade, e Laerte Bessa – PR não revelaram publicamente como irão votar. Ou não responderam à enquete, ou informaram que não irão antecipar suas posições, ou afirmam ainda não terem se decidido.

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Em comum, esses sete parlamentares candangos guardam os fatos de terem votado favoravelmente ao impeachment de Dilma Roussef e de serem próximos ao ex-vice governador Tadeu Filippelli, que assessorava Michel Temer no Planalto até ser preso pela na Operação Panatenaico, que apura desvios de recursos nas obras do estádio Mané Garrincha. Além disso, não pode-se dizer que são políticos exemplos de Ficha Limpa, com exceção de Ronaldo Fonseca, todos os demais seis federais do DF que esconderam como irão votar respondem por inquéritos ou em processos judiciais.

Essa fuga dos holofotes não durará muito. A Comissão de Constituição e Justiça, que analisa preliminarmente a solicitação de processar Temer formulada pelo STF, deverá votá-la entre os dias 14 e 17. Assim, da bancada candanga, os primeiros a terem que expor oficialmente seus votos serão Rogério Rosso e Ronaldo Fonseca, membros titulares da CCJ. Erika Kokai e Larte Bessa são suplentes nessa comissão. Terão direito a se expressarem, mas só votarão se os respectivos titulares das vagas não aparecerem pra votar. Os demais só irão votar em plenário.

O certo é que o eleitorado está de olho e a elevada rejeição do governo Temer não encoraja os deputados, em especial em quem olha as urnas de 2018

 

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