Grileiros no Ville deMontagne sergio leo2.htmO local fica em área nobre, atrás do Lago Sul, próxima à Ponte JK. O cartaz, na estrada ao lado do cerrado que separa os condomínios Ville de Montaigne e o conjunto formado por Quintas da Alvorada e Mansões Itaipu  alerta: a região é um “sítio arqueológico”, patrimônio da União, sob administração do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, vinculado ao ministério da Cultura. E avisa: qualquer dano à natureza lá pode ser punido com multa e detenção.

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GDF e União fazem vistas grossas à ação dos grileiro sna Capital Federal

Mas a certeza da impunidade é tamanha que, no sábado, 20 de setembro, um grupo, autonomeando-se dono da área, montou ali uma enorme tenda, um barraco e reuniu algumas dezenas de pessoas de um suposto condomínio Ville II, onde se discutiu a posse do lugar. Um morador da vizinhança, fingindo-se interessado, ouviu que a ideia é dividir o terreno em 400 lotes, vendidos a R$ 20 mil por unidade.

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Oferta de grileiros atraem muitos interessados que depois vão pressionar o poder público para legalizar área loteada irregularmente.

O terreno escapa há décadas da especulação imobiliária que ameaça a região – mais recentemente, instalou-se, por grilagem, um condomínio do outro lado da estrada, o Estância Quintas da Alvorada (que, para enganar incautos, usou o nome de um antigo condomínio em terra privada existente ali).

Já se tentou até construir uma Igreja, e uma loja de plantas lá, como início disfarçado de invasão de classe média, sempre rechaçada pelos habitantes da vizinhança. É terreno de cerrado, recentemente afetado por grande incêncio que facilitou a ocupação deste fim de semana. Incêndio acidental? Ou criminoso?

Grileiros no Ville deMontagne anuncioPela Internet, veem-se endereço e mapa dos responsáveis. Há quem anuncie no jornal, com foto do terreno ainda preservado,clique aqui e confira.

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Na Internet é fácil achar as ofertas dos grileiros.

Agora, no período pré-eleitoral, os invasores se sentem à vontade para colocar sua placa ao lado da placa federal que os proíbe ali e iniciar a ocupação na marra, deixando uma enorme tenda e barraco para marcar a posse. Parecem dispostos a sustentar mais uma ocupação irregular em uma região já ameaçada de estresse hídrico. Por que o GDF não investiga os responsáveis por mais essa irregularidade?

Quem os acoberta? Quem lhes dá segurança para agir dessa forma? Quem são essas pessoas que lideram a invasão, liderada por um “síndico” de porte militar e gestos violentos? Quem ganha com essa invasão?

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