candombá ou canela de ema
O Cerrado também não é formado só de árvores. Temos gramíneas, arbustos e muitas flores de beleza exuberante, mas que ainda pouco se domina do processo de produção de mudas em viveiro da Novacap. Foto de José Carlos Sigmaringa.

Por José Carlos Sigmaringa

Com um plantio de mudas no Parque das Sucupiras, no Setor Sudoeste, do Plano Piloto de Brasília, o novo governador do DF, Rodrigo Rollemberg, lançou no dia 03 de janeiro, como primeira atividade externa da sua gestão, o Programa Anual de Plantio de Árvores 2015. O presidente da Novacap, Hermes de Paula, informou que até novembro o Departamento de Parque e Jardins – DPJ deve plantar cerca de 28 mil mudas em todo o DF. As mudas escolhidas para inaugurar o plantio foram de 3 espécies de ipê, amarelo, branco e roxo, que já são comuns no DF por terem sementes de fácil propagação e mudas que apresentam bons índices de pegamento.

Gabiroba
Os frutos da Gabiroba além de saborosos, são também ricos em vitamina C. Eles também têm boas qualidades medicinais especialmente para tratamentos gastrointestinais, como a diarréia, ou dos males do trato urinário, como a cistite e a uretrite. Foto de José Carlos Sigmaringa.

A construção de Brasília resultou na remoção total da vegetação do Plano Piloto. Os tratores não se limitaram a terraplanar os locais das ruas e prédios, levaram de roldão a vegetação de Cerrado que ocupava as futuras áreas verdes, que depois tiveram que ser revegetadas. Foi por isso que os primeiros tempos de Brasília eram de muita poeira e lama. Parte do Parque das Sucupiras é uma das poucas áreas preservadas de Cerrado no coração de Brasília.

No início da arborização o replantio foi com mudas de árvores da Mata Atlântica (cambuí, pau-ferro, sibipiruna) e de outros continentes como a espatódea, o flamboyant, a albizzia lebbeck e as cassias. Mas essas espécies apresentaram altas taxas de mortalidade precoce, obrigando o DPJ a se concentrar na produção de mudas de espécies nativas da região – o Cerrado.

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Mas se hoje o DPJ já pode se vangloriar que o foco da sua produção são as mudas nativas, a variedade de espécies é ainda limitada e pouco representativa do bioma, especialmente, no que se refere às frutíferas.

Flor do pequi 3
O pequi (foto), ao lado da cagaita, do araticum, currióla, mangaba, do baru, gabiroba, do cajuzinho do cerrado, do bacuri, do jatobá e do araçá, é uma das frutas típicas do Cerrado. Foto de Cefas Siqueira

É comum encontrarmos nos gramados de Brasília as indianas jaqueira e mangueira, mas dificilmente o morador vai se deparar com uma fruta nativa. São centenas de espécies que ocorrem naturalmente no Cerrado. As mais conhecidas são: o pequi, a cagaita, o araticum, a currióla, a mangaba, o baru, a gabiroba, o cajuzinho do cerrado, o bacuri, o jatobá, o araçá e tantas outras totalmente desconhecidas pelos brasilienses legítimos que nasceram e cresceram aqui.

O Cerrado também não é formado só de árvores. Temos gramíneas, arbustos e muitas flores de beleza exuberante, mas que ainda pouco se domina do processo de produção de mudas em viveiro.  Enquanto isso, ficamos nos colonizando e gastando dinheiro para plantar espécies exóticas. Os canteiros do Roriz, que ornamentavam os balões, eram plantados com sementes de espécies exóticas que custavam, àquela época, até R$ 800,00 (oitocentos reais) o grama.

flores do cerrado
O Papalantus ou chuveirinho (Paepalanthus acanthophylusé) é uma espécie de sempre-viva que está desaparecendo do Distrito Federal. Foto de Chico Sant’Anna

Enquanto isso, o Viveiro 1 da Novacap não produz uma única caliandra, flor símbolo do Cerrado, canela de ema, que tem uma floração exuberante ou qualquer uma das infinitas flores que se contempla ao percorrer o Cerrado. E um dado relevante. A maior quantidade de flores do Cerrado brota durante o período de seca. Isso significa que não seria preciso nem gastar água para molhar os canteiros de flores nativas.

Pesquisadores interessados e condições de pesquisa existem. O GDF poderia aglutinar essas forças, fazendo um convênio entre o Departamento de Parques e Jardins, Embrapa e Departamentos de Botânica e Florestal da UnB para desenvolver técnicas de domesticação e produção em viveiro de flores, frutos, gramíneas, arbustos e árvores do Cerrado.

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